PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Segunda Câmara Cível PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. ART.373 DO CPC. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. Trata-se de Apelação Cível interposta por ESPÓLIO DE WOLFGANG WECKERLE em face da sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da 4ª Vara Cível da Comarca de Salvador – BA, nos autos do EMBARGOS À EXECUÇÃO tombada sob o nº 0303544-75.2018.8.05.0001, que julgou improcedente o pleito autoral. O cerne recursal versa sobre a quitação integral da dívida executada, celebrada em um Contrato de Mútuo no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais), alegando o apelante que foi coagido a assinar o referido instrumento. Sabe-se que o Instrumento Particular de Confissão de Dívida assinado pelo devedor e por duas testemunhas é título hábil ao manejo da Ação de Execução conforme preconiza o art.784 do CPC. A declaração de nulidade do Termo de Confissão de Dívida, portanto, não se torna possível, vez que o apelante não nega a existência da dívida, mas tão somente, o seu pagamento. A tese de coação do apelante acerca do instrumento particular de confissão de dívida constante dos autos sob ID 236906147, não encontra robustez, tendo em vista a inexistência de documentos cabais a comprovar o quanto alegado. Compulsando os autos, verifica-se que os comprovantes de pagamento sob ID 236906149 e seguintes se referem tão somente a períodos anteriores ao Termo de Confissão, não constando neste, qualquer menção de uma dívida pregressa. Ao contrário, ao ler o referido termo, percebe-se que houve um empréstimo no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais), realizado em 13 de junho de 2017, ainda a ser quitado, Cumpre ressaltar, portanto, que para a caracterização da coação alegada referente ao ato negocial, cabe ao apelante a comprovação do fato constitutivo do seu direito, conforme preconiza o art.373 do CPC. Nestes termos, na situação jurídica apresentada, o apelante não se desincumbiu do ônus da prova, vez que pelo contexto fático demonstrado não há suporte probatório mínimo capaz de lastrear a robustez de sua alegação. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos da Apelação Cível n. 0303544-75.2018.8.05.0001, originária da Comarca de Salvador– BA, apelante ESPÓLIO DE WOLFGANG WECKERLE e apelado SERGIO HOLTZ FARIAS DE SANT ANNA. ACORDAM os Desembargadores integrantes da Segunda Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo a sentença, nos termos do voto desta Relatora.
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 0303544-75.2018.8.05.0001
Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível
APELANTE: REGINA AUGUSTA BORGES WECKERLE e outros
Advogado(s): JOSE LUIZ COSTA SOBREIRA, ANA CINTIA VIEIRA LIMA E SILVA
APELADO: SERGIO HOLTZ FARIAS DE SANT ANNA e outros
Advogado(s):ANIBAL DE SENNA PAIM
ACORDÃO
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
SEGUNDA CÂMARA CÍVEL
| DECISÃO PROCLAMADA |
Negou-se provimento ao apelo, à unanimidade.
Salvador, 10 de Dezembro de 2024.
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Segunda Câmara Cível Trata-se de Apelação Cível interposta por ESPÓLIO DE WOLFGANG WECKERLE em face da sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da 4ª Vara Cível da Comarca de salvador – BA, nos autos do EMBARGOS À EXECUÇÃO tombada sob o nº 0303544-75.2018.8.05.0001, que julgou improcedente o pleito autoral, nos seguintes termos: “Trata-se de julgar embargos à execução propostos por WOLFGANG WECKERLE em face do espólio de CARLOS FARIAS DE SANT'ANNA, ambos qualificados nos autos. O embargante sustenta que o embargado carece de título executivo porque o instrumento por ele apresentado "(...) não possui assinatura de testemunhas (...)" (cf. embargos). Além disso, o embargante afirma que já pagou o valor da dívida e que, por isso, o embargado deveria ser condenado a lhe pagar o "(...) dobro da execução (...)".O embargado se manifestou sobre os embargos na petição do ID n. 236906373 e, praticados mais alguns outros atos processuais, foram os autos conclusos. O exame dos autos mostra de plano que não assiste razão ao embargante. O instrumento particular de fls. 06/07 (e-SAJ, autos em apenso) refere que ele vai firmado pelas partes deste processo e "(...) em presença de duas testemunhas (...)", que o assinaram, sim, embora não na mesma folha em que consta a assinatura daquelas partes. O embargante não nega a existência do "instrumento particular de reconhecimento e confissão de dívida", tal como apresentado, isto é, com a referência às duas testemunhas; não nega a existência da dívida, ao contrário, defende que já fez o pagamento exigido pelo embargado. Num cenário como esse, não há lugar para se recusar ao embargado a possibilidade de instaurar um processo de execução, como ele fez, valendo-se do título executivo que acompanha a petição inicial. No mérito, o caso é de extrema simplicidade. Tem-se um "instrumento particular de reconhecimento e confissão de dívida" assinado pelas partes em 13 de junho de 2017 e nele o devedor diz que se compromete a devolver dinheiro emprestado pelo embargado "(...) tão logo o Credor venha a exigir tal pagamento", ou seja, é evidente que o pagamento haveria de ser feito em algum instante depois de 13 de junho de 2017. Todos os pretensos comprovantes de pagamento exibidos pelo embargante no ID n. 236906146 são anteriores a 2017. Em verdade, conforme planilha apresentada pelo próprio embargante, esses comprovantes remontam a um período compreendido entre dezembro de 2006 e maio de 2016 (cf. ID n. 236906148).Está claríssimo que o embargante reconhece que recebeu do embargado R$ 70.000,00 (setenta mil reais) a título de empréstimo, alega que pagou essa dívida e, no entanto, não provou absolutamente a veracidade dessa afirmação. Donde o único julgamento possível, que é a rejeição dos seus embargos. Do exposto, extinguindo o processo com resolução do mérito, julgo improcedentes os presentes embargos à execução, reconhecendo que o título executivo que instrui o processo de execução n. 0545603-31.2017 representa obrigação certa, líquida e exigível e ainda não satisfeito. Condeno o embargante a pagar as custas e honorários de advogado fixados em 20% (vinte por cento) do valor da dívida. Publique-se e intimem-se. Salvador(BA),20 de março de 2023.GEORGE JAMES COSTA VIEIRA Juiz de Direito Titular da 4ª Vara Cível da Comarca de Salvador.” (ID 48973076). Aduz: “Sem rodeios, vale trazer logo à baila, que ainda âmbito do primeiro grau, o Apelante, no sentido de demonstrar com clareza as omissões e evitar vícios passíveis de nulidades, através dos embargos de declaração, tentou convencer aquele r. Juízo que a sentença em destaque, apesar de apontar pagamentos feitos pelo falecido Wolfgang Weckerle, citando que foram antes de 2017 e que juntou comprovantes que remontam “a um período compreendido entre dezembro de 2006 e maio e 2016”, além de cometer erro material, deixou de expressar que os pagamentos realizados compreendem o período de dezembro de 2006 até maio de 2016, ou seja, quase 10 anos, totalizando um desembolso de R$ 120.750,00 (cento e vinte mil, setecentos e cinquenta reais), conforme planilha de Id. 236906148, além de que sequer mencionou a alegação do Apelante de ter pago todos aquele montante e foi coagido a assinar um instrumento, exatamente no valor real e único emprestado no ano de 2006, de R$ 70.000,00.”(ID 48973085). Salienta: “O Juízo monocrático não observou que os diversos pagamentos feitos pelo embargante, remontam ao período de 2006 até maio de 2016, totalizando um desembolso de R$ 120.750,00 (cento e vinte mil, setecentos e cinquenta reais), conforme planilha de Id. 236906148.” (ID 48973085). Alega também: “Omitiu-se quanto ao fato de que somente existiu um verdadeiro mútuo R$ 70.000,00, ajustado em dezembro de 2006 e o embargante pagou pelo mesmo, a quantia de R$ 120.750,00 (cento e vinte mil, setecentos e cinquenta reais).”(ID 48973085). Requer: “que seja o presente recurso CONHECIDO e TOTALMENTE PROVIDO à vista das razões apresentadas acima, para o fim de ANULAR a sentença monocrática proferida pelo MM. Juízo “a quo”, no sentido de que este aprecie mande realizar a prova pericial contábil para apurar o valor atualizado das parcelas pagas pelo apelante em favor do apelado, fazendo-se destarte, a costumeira JUSTIÇA, como de praxe nessa Colenda Casa.” (ID 48973085). O apelado apresentou contrarrazões refutando os argumentos expendidos no recurso, pugnando ao final pelo seu desprovimento (ID 48973091). O feito encontra-se em condições de proferir voto, portanto, solicito sua inclusão em pauta. Ressalta-se a possibilidade de sustentação oral, conforme dispõem os artigos 937 do CPC e 187 do RI/TJBA. É o que importa relatar. Salvador/BA, data certificada eletronicamente no sistema Desa. Maria de Fátima Silva Carvalho Relatora VI
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 0303544-75.2018.8.05.0001
Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível
APELANTE: REGINA AUGUSTA BORGES WECKERLE e outros
Advogado(s): JOSE LUIZ COSTA SOBREIRA, ANA CINTIA VIEIRA LIMA E SILVA
APELADO: SERGIO HOLTZ FARIAS DE SANT ANNA e outros
Advogado(s): ANIBAL DE SENNA PAIM
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Segunda Câmara Cível Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço o recurso. Trata-se de Apelação Cível interposta por ESPÓLIO DE WOLFGANG WECKERLE em face da sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da 4ª Vara Cível da Comarca de salvador – BA, nos autos do EMBARGOS À EXECUÇÃO tombada sob o nº 0303544-75.2018.8.05.0001, que julgou improcedente o pleito autoral. O cerne recursal versa sobre a quitação integral da dívida executada, celebrada em um Contrato de Mútuo no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais), alegando, o apelante, que foi coagido a assinar o referido Instrumento. Sabe-se que o Instrumento Particular de Confissão de Dívida assinado pelo devedor e por duas testemunhas é título hábil ao manejo da Ação de Execução conforme preconiza o art.784 do CPC. Vejamos: Art.784 São títulos executivos extrajudiciais: III- o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; A declaração de nulidade do Termo de Confissão de Dívida, portanto, não se torna possível, vez que o apelante não nega a existência da dívida, mas confirma a sua existência e sua quitação de forma integral. Ocorre que, compulsando os autos, verifica-se que os comprovantes de pagamento constantes sob ID 236906149 e seguintes, se referem tão somente a períodos anteriores ao Termo de Confissão realizado em 13 de junho de 2017, não constando neste qualquer menção de uma dívida pregressa. Ao contrário, ao ler o referido termo sob ID 236906147, percebe-se que se trata de um Contrato de Mútuo no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais), cujo valor ainda será quitado. A tese de coação do apelante acerca do Instrumento Particular em comento (ID 236906147), não encontra robustez, tendo em vista a inexistência de documentos cabais a comprovar o quanto alegado. Cumpre ressaltar, portanto, que para a caracterização da coação alegada referente ao ato negocial, cabe ao apelante a comprovação do fato constitutivo do seu direito, conforme preconiza o art.373 do CPC. Vejamos: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I- ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. (…) Com efeito, na situação jurídica apresentada, o apelante não se desincumbiu do ônus da prova, vez que pelo contexto fático demonstrado, não há suporte probatório mínimo capaz de lastrear a robustez de sua alegação. Neste sentido, colhem-se precedentes jurisprudenciais de análoga razão determinante. “Apelação cível. Ação de cobrança. Sentença de parcial procedência. Nulidade do instrumento particular. Não verificação. Instrumento assinado pelos devedores e por duas testemunhas. Atendimento aos requisitos previstos no art. 784, III, do CPC. Desnecessidade de comprovação da origem da dívida. Precedentes do STJ e deste Tribunal. 1. A confissão de dívida em documento particular (art. 784, III, do CPC/2015, correspondente ao art. 585, inc. II - segunda parte -, do CPC/1973), assinado pelo devedor e por duas testemunhas, é título executivo extrajudicial, independentemente da "causa debendi". ( AgInt no AREsp n. 1.763.837/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 9/2/2021, DJe de 12/2/2021) 2. Recurso conhecido e não provido. (TJPR - 17ª Câmara Cível - 0002989-64.2016.8.16.0141 - Realeza - Rel.: DESEMBARGADOR LUCIANO CARRASCO FALAVINHA SOUZA - J. 13.03.2023)(TJ-PR - APL: 00029896420168160141 Realeza 0002989-64.2016.8.16.0141 (Acórdão), Relator: Luciano Carrasco Falavinha Souza, Data de Julgamento: 13/03/2023, 17ª Câmara Cível, Data de Publicação: 14/03/2023)”. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo-se incólume a sentença recorrida em todos os seus termos. Transitada em julgado, arquivem-se com a baixa na distribuição, com as cautelas de praxe. Sala de Sessões, Salvador (BA),data certificada eletronicamente no sistema Desa. Maria de Fátima Silva Carvalho Relatora VI
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 0303544-75.2018.8.05.0001
Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível
APELANTE: REGINA AUGUSTA BORGES WECKERLE e outros
Advogado(s): JOSE LUIZ COSTA SOBREIRA, ANA CINTIA VIEIRA LIMA E SILVA
APELADO: SERGIO HOLTZ FARIAS DE SANT ANNA e outros
Advogado(s): ANIBAL DE SENNA PAIM
VOTO