PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Segunda Câmara Cível EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO AO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER E À PERDA PARCIAL DO OBJETO DA AÇÃO, COM PEDIDO DE EFEITOS MODIFICATIVOS. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. ACÓRDÃO ANTERIOR EXPRESSAMENTE APRECIOU A QUESTÃO DO CUMPRIMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO E A INCIDÊNCIA DA MULTA COMINATÓRIA (ASTREINTES), FUNDAMENTANDO SUA MANUTENÇÃO. VEDAÇÃO À REDISCUSSÃO DO MÉRITO VIA ACLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS PREVISTOS NO ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS E REJEITADOS. I. Caso em exame A operadora de plano de saúde opôs Embargos de Declaração em face de acórdão que, em sede de Apelação Cível, reformou a sentença de improcedência. O acórdão reconheceu a abusividade da negativa de cobertura para tratamento médico prescrito em clínica de transição, confirmou a tutela provisória, manteve a multa cominatória e condenou a operadora ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Nos Embargos de Declaração, a operadora alega omissão no acórdão, sustentando o cumprimento da obrigação de fazer em 18/03/2023, o que configuraria perda parcial do objeto da ação, requerendo efeitos modificativos para extinguir o feito, sem resolução de mérito. O Embargado, por sua vez, pugnou pelo não provimento dos Embargos de Declaração, com a manutenção integral do acórdão, e requereu a aplicação de multa por embargos protelatórios. II. Questão em discussão A questão em discussão consiste em verificar se o acórdão proferido por esta Segunda Câmara Cível padece de omissão, como alegado pela Embargante, quanto ao cumprimento da obrigação de fazer e a consequente perda parcial do objeto da ação, bem como se é cabível a atribuição de efeitos modificativos aos Embargos de Declaração para reconhecer tal perda de objeto. III. Razões de decidir Concluo que o acórdão embargado não contém a omissão alegada pela Embargante. A matéria referente à multa cominatória e ao descumprimento da determinação judicial foi expressamente analisada no acórdão (ID 96677754, Pág. 1, e ponto 11, Pág. 2). O acórdão manteve a multa cominatória em razão do descumprimento parcial da determinação judicial anterior, preservando sua eficácia coercitiva e inibitória (ID 96677754, Pág. 2, item 11). A alegação da Embargante sobre o cumprimento da obrigação de fazer em 18/03/2023, inclusive com a juntada de documentos para tal fim (ID 98528467, Pág. 3), não configura omissão do julgado, mas uma tentativa de rediscutir o mérito da decisão que considerou o descumprimento parcial para manter as astreintes. O cumprimento da obrigação, mesmo que posterior à determinação judicial, não elimina a mora já configurada nem afasta a incidência da multa pelo período de atraso. Desse modo, a tese de perda parcial do objeto, nos termos pleiteados pela Embargante, não se sustenta diante da análise já realizada pelo Colegiado. Os Embargos de Declaração não são a via adequada para a rediscussão de questões já devidamente analisadas e decididas, tampouco para a busca de efeitos infringentes sem a demonstração de quaisquer dos vícios previstos no artigo 1.022 do Código de Processo Civil. IV. Dispositivo e tese Diante disso, concluo pela rejeição dos Embargos de Declaração. Tese de julgamento: Os Embargos de Declaração não se prestam a reexaminar matéria devidamente decidida pelo Colegiado, nem a rediscutir o mérito da controvérsia, tampouco a reconhecer a perda superveniente de objeto de obrigação de fazer cujo cumprimento foi parcial e intempestivo, não se configurando omissão no acórdão que expressamente apreciou a questão da multa cominatória decorrente do descumprimento da medida judicial. Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil: art. 1.022 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de n. 8004678-39.2023.8.05.0150, Embargante UNIMED MONTES CLAROS COOPERATIVA TRABALHO MEDICO LTDA e Embargado FLORINDO SILVEIRA FILHO. Salvador/BA, data certificada eletronicamente no sistema. IX/D
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8004678-39.2023.8.05.0150
Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível
APELANTE: FLORINDO SILVEIRA FILHO
Advogado(s): LUCAS PASSOS DE MORAIS, ALESSANDRA SENA PASSOS DE MORAIS
APELADO: UNIMED MONTES CLAROS COOPERATIVA TRABALHO MEDICO LTDA
Advogado(s):JORDANA MIRANDA SOUZA, ROBERT AUGUSTO GALLAS, GABRIEL SANTOS CORDEIRO DE ANDRADE, PRISCILA RODRIGUES MARIANO
ACORDÃO
ACORDAM os Desembargadores integrantes da Segunda Câmara Cível do Estado da Bahia, por CONHECER E REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora.
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
SEGUNDA CÂMARA CÍVEL
| DECISÃO PROCLAMADA |
Rejeitado Por Unanimidade
Salvador, 14 de Abril de 2026.
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Segunda Câmara Cível Trata-se de Embargos de Declaração opostos por UNIMED MONTES CLAROS COOPERATIVA TRABALHO MEDICO LTDA em face do Acórdão proferido nos autos da Apelação Cível nº 8004678-39.2023.8.05.0150, que deu provimento ao recurso nos seguintes termos: "DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. ELEITO HOSPITAL DE TRANSIÇÃO POR PRESCRIÇÃO MÉDICA. LIMITAÇÃO TERRITORIAL CONTRATUAL. INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO CREDENCIADO APTO. COBERTURA INDEVIDAMENTE NEGADA. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. VIOLAÇÃO À BOA-FÉ OBJETIVA E À FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO. DANO MORAL CONFIGURADO. DESCUMPRIMENTO PARCIAL DE ORDEM JUDICIAL. MANUTENÇÃO DAS ASTREINTES. APELAÇÃO CONHECIDA E PROVIDA PARA DECLARAR A ABUSIVIDADE DA NEGATIVA DE COBERTURA AO TRATAMENTO PRESCRITO, CONFIRMANDO A TUTELA PROVISÓRIA, MANTER A MULTA COMINATÓRIA E CONDENAR O PLANO DE SAÚDE AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO PRO DANOS MORAIS NO VALOR DE R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS)." (ID 96677754). Sustenta a Embargante, em síntese, a existência de omissão no acórdão, alegando que a obrigação de fazer imposta, relativa à transferência do beneficiário para clínica de transição foi cumprida em 18/03/2023, o que resultaria na perda parcial do objeto condenatório, motivo que deveria levar à extinção do feito sem resolução do mérito, nos termos do artigo 485, inciso VI, do CPC. Requer: "(...) a este juízo que se digne apreciar e dar provimento aos presentes Embargos de Declaração, nos termos de suas razões, para que sejam sanados os vícios suscitados, bem como para deixar prequestionadas as matérias (Súmula 98/STJ). Requer, outrossim, seja atribuído efeito modificativo aos presentes embargos, como requerido em cada tópico." (ID 98528467). Contrarrazões apresentadas (ID 99278464). É o relatório. Solicito a inclusão do feito em pauta, ressaltando a impossibilidade de sustentação oral, conforme dispõem os artigos 937 do CPC e 187 do RI/TJBA. Salvador/BA, data certificada eletronicamente no sistema. Desa. Maria de Fátima Silva Carvalho Relatora
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8004678-39.2023.8.05.0150
Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível
APELANTE: FLORINDO SILVEIRA FILHO
Advogado(s): LUCAS PASSOS DE MORAIS, ALESSANDRA SENA PASSOS DE MORAIS
APELADO: UNIMED MONTES CLAROS COOPERATIVA TRABALHO MEDICO LTDA
Advogado(s): JORDANA MIRANDA SOUZA, ROBERT AUGUSTO GALLAS, GABRIEL SANTOS CORDEIRO DE ANDRADE, PRISCILA RODRIGUES MARIANO
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Segunda Câmara Cível Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A controvérsia recursal reside na alegação de omissão do Acórdão quanto ao cumprimento da obrigação de fazer e a consequente perda parcial do objeto da ação, com o pedido de efeitos modificativos. A Embargante sustenta que a obrigação de fazer foi cumprida em 18/03/2023, o que justificaria a perda parcial do objeto da condenação e, desse modo, a extinção do feito sem resolução do mérito. Conclui-se, no entanto, que o Acórdão embargado não padece da omissão apontada, considerando que a questão do cumprimento da obrigação de fazer e a incidência da multa cominatória foram expressamente tratadas na fundamentação do Acórdão. No julgado em questão, manteve-se a multa cominatória em razão do descumprimento parcial da determinação judicial anterior, reconhecendo a satisfação da medida liminar como parcial e não integral, o que fundamentou a manutenção das astreintes. Frisa-se que o intuito mestre da astreinte é vencer a obstinação do devedor frente a obrigação imposta, persuadindo-o a cumpri-la espontaneamente através da promessa de desfalque patrimonial expressivo caso opte pelo inadimplemento. A doutrina de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery salienta: “O objetivo das astreintes não é obrigar o réu a pagar o valor da multa, mas obrigá-lo a cumprir a obrigação na forma específica. A multa é apenas inibitória.” (NERY JÚNIOR & ANDRADE NERY, 2003, pág. 831). In casu, a alegação de que o cumprimento da obrigação se deu em 18/03/2023 foi, inclusive, contrariada em sede de Contrarrazões, na qual se sustenta que isto se deu de modo tardio, com um atraso de 25 dias, o que se confirma nos autos, e que nestas condições a execução posterior não elimina a multa pelo atraso já consumado. Isto demonstrar que a questão do cumprimento e da multa foi objeto de deliberação, restando provado que houve descumprimento parcial da obrigação pelo Embargante. O objetivo dos Embargos de Declaração é sanar omissão, contradição, obscuridade ou erro material, conforme disposto no art. 1.022 do Código de Processo Civil e a pretensão da Embargante de reanalisar o cumprimento da obrigação de fazer e a alegada perda de objeto para reformar o julgado configura tentativa de rediscussão do mérito e de obtenção de efeitos infringentes, sendo inviável por meio dos aclaratórios, uma vez que a matéria foi devidamente enfrentada e decidida no acórdão, ainda que em sentido desfavorável à Embargante. Inexiste vício a ser sanado na decisão embargada. O acórdão foi claro ao reconhecer o descumprimento parcial da obrigação e manter a multa cominatória. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER E REJEITAR os Embargos de Declaração, mantendo-se o Acórdão vergastado em todos os seus termos. Transitado em julgado, arquivem-se os autos, observadas as cautelas de praxe. Salvador/BA, data certificada eletronicamente no sistema. Desa. Maria de Fátima Silva Carvalho IX/D
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8004678-39.2023.8.05.0150
Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível
APELANTE: FLORINDO SILVEIRA FILHO
Advogado(s): LUCAS PASSOS DE MORAIS, ALESSANDRA SENA PASSOS DE MORAIS
APELADO: UNIMED MONTES CLAROS COOPERATIVA TRABALHO MEDICO LTDA
Advogado(s): JORDANA MIRANDA SOUZA, ROBERT AUGUSTO GALLAS, GABRIEL SANTOS CORDEIRO DE ANDRADE, PRISCILA RODRIGUES MARIANO
VOTO
Relatora