PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Órgão Especial 



Processo: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CÍVEL n. 8036763-77.2022.8.05.0000.3.EDCiv
Órgão Julgador: Órgão Especial
EMBARGANTE: BANCO BRADESCO SA
Advogado(s): CRISTIANE NOLASCO MONTEIRO DO REGO
EMBARGADO: WILSON DOS SANTOS MACHADO
Advogado(s):RODRYGO GONZALES MACHADO

 

ACORDÃO

 

 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA DECISÃO. INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS E REJEITADOS.

 

Vistos, relatados e discutidos os autos destes embargos de declaração nº 8036763-77.2022.8.05.0000.3, em que é embargante o BANCO BRADESCO SA e em que é embargado  WILSON DOS SANTOS MACHADO,

ACORDAM os Desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em conhecer e rejeitar os embargos, nos termos da certidão de julgamento.

 

Salvador, (data registrada eletronicamente).

 

Presidente

 

Desembargador JOSÉ ALFREDO CERQUEIRA DA SILVA

2º Vice-Presidente

 

Procurador de Justiça

 

 

 

 

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

 ÓRGÃO ESPECIAL

 

DECISÃO PROCLAMADA

Conhecido e não provido Por Unanimidade

Salvador, 8 de Julho de 2024.

 


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Órgão Especial 

Processo: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CÍVEL n. 8036763-77.2022.8.05.0000.3.EDCiv
Órgão Julgador: Órgão Especial
EMBARGANTE: BANCO BRADESCO SA
Advogado(s): CRISTIANE NOLASCO MONTEIRO DO REGO
EMBARGADO: WILSON DOS SANTOS MACHADO
Advogado(s): RODRYGO GONZALES MACHADO

 

RELATÓRIO

 

 

Trata-se de embargos de declaração opostos pelo BANCO BRADESCO S/A contra acórdão, id. 60071919 dos autos do agravo interno n. 8036763-77.2022.8.05.0000.2, proferido pelo Órgão Especial deste egrégio Tribunal de Justiça, que negou provimento ao agravo interno que interpôs contra decisão que, ao realizar juízo de admissibilidade de recurso especial, negou seguimento ao mesmo, com base na tese firmada, no Tema 1.000, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em seu recurso, id. 60908109, a parte embargante defende haver omissão no acórdão embargado porque, no seu entender, não foi prequestionado questão sustentada no recurso quanto à incidência do Tema 1.000, do STJ, alegando erro na decisão impugnada, com base no argumento de que foi aplicado multa sem que antes tenha ocorrido tentativa de busca e apreensão ou outra medida coercitiva, questionando, em razão disso, a aplicação do Tema 1.000, do STJ.

A parte contrária não apresentou contrarrazões, conforme a certidão de id. 62165395.

Com este relatório, restituo os autos à Secretaria em cumprimento ao art. 931 do CPC.

 

Salvador, (data registrada eletronicamente).

 

 

Desembargador JOSÉ ALFREDO CERQUEIRA DA SILVA

2º Vice-Presidente

 


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Órgão Especial 



Processo: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CÍVEL n. 8036763-77.2022.8.05.0000.3.EDCiv
Órgão Julgador: Órgão Especial
EMBARGANTE: BANCO BRADESCO SA
Advogado(s): CRISTIANE NOLASCO MONTEIRO DO REGO
EMBARGADO: WILSON DOS SANTOS MACHADO
Advogado(s): RODRYGO GONZALES MACHADO

 

VOTO

 

 

Embargos conhecidos, pois preenchidos os pressupostos de admissibilidade.

Não houve nenhuma omissão deste colegiado em torno da matéria. O intuito dos embargos é claramente o de rediscutir o mérito da decisão colegiada embargada, o que é inadmissível por via deste recurso.

Com efeito, diferentemente do que alegado pela defesa, o acórdão embargado se manifestou sobre a questão apontada como omissa, ainda que não tenha sido no sentido do que almeja a parte embargante. Vejamos trecho do voto condutor do acórdão proferido pelo Órgão Especial deste Tribunal de Justiça (id. 60071919 dos autos do agravo interno):

 

Adentrando ao mérito do recurso, verifica-se que razão não assiste ao Recorrente.

Isto porque, o provimento atacado logrou ser julgado em conformidade para com o quanto estabelecido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos dos Recursos Especiais nº. 1.763.462/MG e 1.777.553/SP, sob a sistemática dos recursos repetitivos, no bojo do qual restou assentada a tese enunciada no Tema 1000.

De fato, o acórdão vergastado logrou ser assim ementado (id. 41498894 – autos do agravo de instrumento):

EMENTA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE COBRANÇA. RELAÇÃO DE CONSUMO. DETERMINAÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. DESCUMPRIMENTO. IMPOSIÇÃO DE MULTA DIÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 400 DO CPC.  INAPLICABILIDADE DA SUMULA 372, DO STJ. MINORAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. RECURSO DESPROVIDO.

Em igual sentido, é a tese firmada por conduto do Tema 1000 do STJ:

Tema 1.000: Desde que prováveis a existência da relação jurídica entre as partes e de documento ou coisa que se pretende seja exibido, apurada em contraditório prévio, poderá o juiz, após tentativa de busca e apreensão ou outra medida coercitiva, determinar sua exibição sob pena de multa com base no art. 400, parágrafo único, do CPC/2015.

Deste modo, considerando a conformidade do Acórdão atacado pela via de Recurso Especial para com a tese firma pelo STJ em sede de recursos repetitivos, (Tema 1000), não há que se proceder a qualquer reproche na decisão agravada, que deve ser mantida. 

 

Outrossim, ainda que não houvesse manifestação específica sobre as questões apontadas como omissas, isso, por si só, não caracteriza omissão, pois uma decisão não é omissa em razão de o magistrado deixar de abordar algum dos argumentos suscitados pela parte quando ficar nítida a intenção do órgão julgador em rechaçá-los, como ocorreu na espécie, uma vez que ficou explicitado no julgado o entendimento do colegiado pela incidência, na espécie, da referida tese firmada pelo STJ.

Assim, o Acórdão ora embargado não é omisso, visto que a decisão embargada examinou todos os fundamentos pertinentes e necessários ao deslinde da controvérsia, não sendo necessário, portanto, que o Órgão Julgador se manifeste acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes.

Em verdade, o embargante apenas manifesta sua divergência em torno da decisão tomada por este colegiado, o que não se amolda a qualquer das hipóteses do art. 1.022 do CPC, deixando claro que discorda da decisão deste órgão e busca modificá-la cabalmente pela via recursal que, via de regra, apenas se destinaria a aperfeiçoá-la.

Não cabe a oposição de embargos sem indicação específica do ponto da decisão embargada que incidiu em algum dos quatro (4) vícios embargáveis (contradição, omissão, obscuridade ou erro material no acórdão), justamente como ora se fez.

Diante do exposto, voto para conhecer e REJEITAR os embargos, por inexistir hipótese legal que demande o aperfeiçoamento da decisão por meio de recurso desta natureza.

 

 

Salvador, (data registrada eletronicamente).

 

 

Desembargador JOSÉ ALFREDO CERQUEIRA DA SILVA

2º Vice-Presidente