PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Segunda Câmara Cível
| Processo: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO n. 0510510-41.2016.8.05.0001 | |
| Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível | |
| EMBARGANTE: ESTADO DA BAHIA | |
| Advogado(s): | |
| EMBARGADOS: CARLOS ANDRE DE LIMA NASCIMENTO e outros (4) | |
| Advogado(s): WAGNER VELOSO MARTINS, ALEXANDRA MARIA DA SILVA MARTINS, DEBORA ALINE VELOSO MARTINS GOMES |
| ACÓRDÃO |
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA LIMINAR. APELAÇÃO INTERPOSTA PELA PARTE AUTORA. FORMAÇÃO DA RELAÇÃO TRIANGULAR EM SEDE RECURSAL. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EMBARGOS CONHECIDOS E PARCIALMENTE ACOLHIDOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de Declaração opostos pelo Estado da Bahia contra Acórdão que negou provimento à Apelação interposta pelos Autores, mantendo sentença de improcedência liminar do pedido de reajuste de 34,06% na Gratificação de Atividade Policial Militar (GAP). O Embargante alega omissão quanto à ausência de condenação dos Autores em honorários advocatícios, requerendo a fixação da verba sucumbencial nos termos do art. 85 do CPC.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se há omissão no Acórdão embargado quanto à fixação de honorários advocatícios em favor do Estado da Bahia; (ii) determinar se, diante da concessão de gratuidade de justiça aos Autores, a exigibilidade da verba honorária deve permanecer suspensa.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. De fato, o Acórdão embargado não apreciou a questão relativa à condenação dos Autores em honorários advocatícios, após o ingresso do Estado nos autos em sede recursal., configurando omissão suprível nos termos do art. 1.022 do CPC.
4. A apresentação de contrarrazões à Apelação pela parte ré, antes não citada, caracteriza a formação da relação jurídica processual triangular, legitimando a fixação de honorários sucumbenciais com fundamento no art. 85, caput e §1º, do CPC.
5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que, mesmo nas hipóteses de improcedência liminar, a intimação para apresentação de contrarrazões configura angularização da lide, sendo devida a verba honorária.
6. A concessão da gratuidade de justiça aos Autores, nos termos do art. 98, §3º, do CPC, impõe a suspensão da exigibilidade dos honorários sucumbenciais até que se demonstre eventual alteração na situação econômica dos beneficiários.
7. O percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, previsto no art. 85, §3º, I, do CPC, mostra-se adequado diante da atuação restrita do Estado na fase recursal e do valor da causa não superior a duzentos salários-mínimos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Embargos conhecidos e parcialmente acolhidos.
Tese de julgamento:
1. A interposição de Apelação contra sentença de improcedência liminar, com posterior apresentação de contrarrazões pela parte ré, configura a triangulação da relação processual e enseja a fixação de honorários sucumbenciais, cuja exigibilidade permanece suspensa se concedido à parte vencida o benefício da gratuidade de justiça, nos termos do art. 98, §3º, do CPC.
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 98, §3º, e 85, caput, §§1º, 2º e 3º, I.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n.º 616.408/RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, j. 16.11.2020, DJe 23.11.2020; STJ, AgInt no REsp n.º 1.801.604/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, j. 17.09.2019, DJe 20.09.2019; STJ, REsp n.º 1.645.670/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, j. 21.02.2017, DJe 25.04.2017; STJ, REsp n.º 1.301.049/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, j. 04.12.2012, DJe 10.12.2012.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração n.º 0510510-41.2016.8.05.0001, tendo como Embargante, o ESTADO DA BAHIA, e, como Embargados, CARLOS ANDRE DE LIMA NASCIMENTO e OUTROS,
ACORDAM os Desembargadores integrantes da Segunda Câmara Cível do Egrégio Tribunal Justiça do Estado da Bahia, à unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER PARCIALMENTE os Embargos de Declaração, para sanar a omissão constante do Acórdão embargado a fim de condenar os Autores ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais, fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, suspendendo a sua exigibilidade em razão de serem beneficiários da gratuidade de justiça, nos termos do art. 98, §3º, do CPC, e assim o fazem pelas razões que integram o voto do eminente Desembargador Relator.
Sala das Sessões da Segunda Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, 09 de setembro de 2025.
PRESIDENTE
DESEMBARGADOR BALTAZAR MIRANDA SARAIVA
RELATOR
PROCURADOR(A) DE JUSTIÇA
BMS02
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
SEGUNDA CÂMARA CÍVEL
| DECISÃO PROCLAMADA |
Conhecido e provido em parte Por Unanimidade
Salvador, 9 de Setembro de 2025.
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Segunda Câmara Cível
| Processo: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO n. 0510510-41.2016.8.05.0001 | |
| Órgão Julgador: Segunda Câmara Cível | |
| EMBARGANTE: ESTADO DA BAHIA | |
| Advogado(s): | |
| EMBARGADOS: CARLOS ANDRE DE LIMA NASCIMENTO e outros (4) | |
| Advogado(s): WAGNER VELOSO MARTINS, ALEXANDRA MARIA DA SILVA MARTINS, DEBORA ALINE VELOSO MARTINS GOMES |
| RELATÓRIO |
Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo ESTADO DA BAHIA contra o Acórdão de ID 85289543, que negou provimento ao recurso de Apelação interposto pelos Autores, mantendo incólume a sentença que julgou improcedente o pedido de implantação de reajuste de 34,06% na Gratificação de Atividade Policial Militar (GAP).
Em suas razões recursais, o Embargante sustenta que o Acórdão é omisso, tendo deixado de condenar a parte autora em honorários advocatícios nos termos do art. 85, caput e §1º do CPC.
Nesta senda, afirma que o magistrado de primeira instância deixou de fixar honorários tendo em vista que a ação foi julgada liminarmente improcedente, sem que houvesse citação do Estado antes da prolação da sentença. Todavia, registra que, com a inauguração da fase recursal pela interposição do recurso de apelação, o réu foi intimado obrigatoriamente a apresentar contrarrazões, passando a integrar a relação processual, de modo que passou a ser devido o pagamento de honorários advocatícios.
Aduz, ademais, que nos termos do art. 85, caput, do CPC, “a sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor”, bem como que o próprio §1º do art. 85 permite expressamente a fixação de honorários em sede recursal, estabelecendo que “são devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente”.
Argumenta que o direito à percepção da verba sucumbencial surgiu quando, chamado a integrar a lide, o Estado apresentou contrarrazões, expondo sua matéria de defesa, momento em que o ente estatal passou a integrar a relação processual, que se aperfeiçoou, restando perfectibilizada a lide diante da triangulação.
Ante o exposto, requer sejam acolhidos os aclaratórios para que a parte autora seja condenada a pagar honorários advocatícios em percentual a ser aferido nos termos do art. 85 do CPC, fixando-se a verba honorária em 20% (vinte por cento) do valor atualizado da causa, caso o montante insira-se nos limites estabelecidos pelo art. 85, §3º, do CPC, ou, caso o valor da causa seja muito baixo, que sejam fixados os honorários por apreciação equitativa, observando-se o disposto nos incisos do §2º do mesmo dispositivo.
Intimados, os Embargados apresentaram contrarrazões (ID 86586708), sustentando que houve o deferimento da gratuidade de justiça e que, nos termos do art. 3º, V, da Lei n.º 1.060/1950, a assistência judiciária compreende a isenção dos honorários de advogado. Nesta senda, alegam que o pedido de condenação em honorários não se coaduna com a concessão da assistência judiciária, conforme o art. 98, §3º do CPC, que estabelece que “vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade”. Assim, pugnam pela rejeição dos aclaratórios.
Com este relato, nos termos do art. 931 do CPC, encaminhem-se os autos à Secretaria para inclusão em pauta.
Salvador, 30 de julho de 2025.