PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Quinta Câmara Cível 



Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8112131-55.2023.8.05.0001
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
APELANTE: ALESSANDRA DOS SANTOS CORDEIRO
Advogado(s): EMILY FERNANDA GOMES DE ALMEIDA
APELADO: BANCO ORIGINAL S/A
Advogado(s):MARCIO RAFAEL GAZZINEO registrado(a) civilmente como MARCIO RAFAEL GAZZINEO

 

ACORDÃO

  

EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL. AUSÊNCIA DO VÍCIO ALEGADO NA PEÇA RECURSAL. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REJEITADO.

 

I. CASO EM EXAME

1.Embargos de Declaração opostos contra acórdão que manteve a condenação da embargante ao pagamento proporcional dos honorários advocatícios, em razão da sucumbência recíproca.

 

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

 2. A questão em discussão consiste em verificar a existência de contradição no acórdão embargado, no que tange à fixação dos honorários advocatícios.

 

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. Os embargos de declaração constituem recurso de fundamentação vinculada, cabível nas hipóteses expressamente previstas no art. 1.022 do CPC.

4. O acórdão embargado examinou, de forma fundamentada, a questão relativa à distribuição dos honorários advocatícios, concluindo pela manutenção da sentença que reconheceu a sucumbência recíproca, nos termos do art. 86 do CPC.

5. Havendo procedência parcial da demanda, com acolhimento de um dos pedidos e rejeição de outro, impõe-se a distribuição proporcional do ônus sucumbencial entre as partes.

6. O mero inconformismo com o resultado do julgamento não autoriza a utilização dos embargos de declaração como sucedâneo recursal.

 

IV. DISPOSITIVO E TESE

 

 7. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.



Vistos, relatados e discutidos estes autos de n. 8112131-55.2023.8.05.0001, em que figuram como embargante ALESSANDRA DOS SANTOS CORDEIRO e como embargado BANCO ORIGINAL S/A.


ACORDAM os magistrados integrantes da Quinta Câmara Cível do Estado da Bahia, por unanimidade, em REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, nos termos do voto do relator. 

Salvador, data registrada no sistema


Presidente


Des. Renato Ribeiro Marques da Costa

Relator


Procurador de Justiça


RM01

 

 

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

 QUINTA CÂMARA CÍVEL

 

DECISÃO PROCLAMADA

Rejeitado Por Unanimidade

Salvador, 15 de Setembro de 2025.

 


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Quinta Câmara Cível 

Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8112131-55.2023.8.05.0001
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
APELANTE: ALESSANDRA DOS SANTOS CORDEIRO
Advogado(s): EMILY FERNANDA GOMES DE ALMEIDA
APELADO: BANCO ORIGINAL S/A
Advogado(s): MARCIO RAFAEL GAZZINEO registrado(a) civilmente como MARCIO RAFAEL GAZZINEO

 

RELATÓRIO

Trata-se de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos por ALESSANDRA DOS SANTOS CORDEIRO, com fulcro no art. 1.022, I, do CPC, alegando a existência de contradição a ser eliminada, no acórdão de ID nº 82170539, que condenou as partes ao pagamento proporcional dos honorários advocatícios, mesmo tendo ela/ embargante saído vencedora na demanda, e que “os honorários advocatícios não podem ser proporcionalmente distribuídos por terem natureza alimentar”.

Disse, também, que ainda que o Juízo a quo tivesse entendido que as duas partes foram vencidas e vencedoras, deveria ter estipulado o valor específico para cada uma das partes, respeitando a porcentagem de 10% a 20% referentes aos honorários, pedindo, em suma, o acolhimento dos aclaratórios.

Contrarrazões ao recurso no ID nº 83120585.

Elaborei o presente relatório e encaminho os autos a Secretaria para inclusão em pauta.

Salvador/BA, data registrada no sistema


 Des. Renato Ribeiro Marques da Costa 

Relator

 

RM01


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Quinta Câmara Cível 



Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8112131-55.2023.8.05.0001
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
APELANTE: ALESSANDRA DOS SANTOS CORDEIRO
Advogado(s): EMILY FERNANDA GOMES DE ALMEIDA
APELADO: BANCO ORIGINAL S/A
Advogado(s): MARCIO RAFAEL GAZZINEO registrado(a) civilmente como MARCIO RAFAEL GAZZINEO

 

VOTO

Conheço do recurso interposto, porquanto presentes os pressupostos de admissibilidade.

Trata-se de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos por ALESSANDRA DOS SANTOS CORDEIRO, com fulcro no art. 1.022, I do CPC, alegando a existência de contradição a ser eliminada, no acórdão de ID nº 82170539.

Como se sabe, os embargos de declaração são um recurso destinado ao esclarecimento da obscuridade, a eliminação da contradição ou à supressão de omissão existente no julgado, atribuindo-se ao mesmo, em casos excepcionais, efeito infringente, ou seja, em caso de erro material ou manifesta nulidade, nos termos do art. 1.022 do CPC. 

A contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração é aquela em que existe afirmação conflitante, que pode ocorrer entre proposições contidas na motivação, na parte decisória, ou, ainda, entre alguma proposição enunciada nas razões de decidir e o dispositivo.

Sem razão a embargante.

O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso, reformando a sentença no tocante à condenação por danos morais, excluindo-a do julgado guerreado, situação que caracteriza a sucumbência recíproca, já que foram dois os pedidos contidos na inicial e só um foi mantido.

É sabido que o art. 86, do CPC determina que se cada ligante for, em parte, vencedor e vencido, como no caso (sucumbência recíproca), serão proporcionalmente distribuídas entre eles as despesas.

 Veja: 

“Art. 86. Se cada litigante for, em parte, vencedor e vencido, serão proporcionalmente distribuídos entre eles as despesas”.

Por consequência, configurada a sucumbência recíproca, as custas processuais e os honorários advocatícios devem ser recíproca e proporcionalmente distribuídos entre as partes.

 

Nesse sentido é o entendimento da Corte Superior:

"AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATRASO NA ENTREGA DA OBRA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUSTAS PROCESSUAIS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. 1. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em caso de sucumbência recíproca, as custas processuais e os honorários advocatícios devem ser recíproca e proporcionalmente distribuídos. 2. Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não é cabível a majoração da verba honorária em grau recursal na hipótese de provimento do recurso. 3. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. ( AgInt no REsp 1718122/RO, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/5/2020, DJe 28/5/2020). [Destaquei].

"AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ACARRETA ATO ILÍCITO INDENIZÁVEL. PRECEDENTES. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA CONDENAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência das Turmas integrantes da Segunda Seção deste Tribunal dispõe no sentido de que "o atraso na entrega de unidade imobiliária na data estipulada não causa, por si só, danos morais ao promitente-comprador" ( REsp 1.642.314/SE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 16/3/2017, DJe 22/3/2017). 2. Os honorários advocatícios não são fixados em razão do que foi alterado no acórdão recorrido pelo provimento do recurso especial. A sucumbência é aferida levando-se em conta a procedência ou não dos pedidos postos na inicial. Assim, se cada litigante for em parte vencedor e vencido, serão recíproca e proporcionalmente distribuídos entre eles os honorários e as despesas. Havendo condenação, os honorários devem ser arbitrados sobre este valor. 3. Agravo interno desprovido."( AgInt no REsp 1797733/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/3/2020, DJe 30/3/2020).

 

Portanto, não se observa o defeito alegado na inicial, pois os honorários advocatícios foram fixados em 10% (dez por cento) do valor da causa, no percentual de 50% (cinquenta por cento) para cada, pois um dos dois pedidos formulados pela autora foi indeferido.

Como se vê, não se observa qualquer  contradição a ser eliminada, no julgado recorrido, de onde se conclui que a embargante pretende rediscutir matéria de mérito consubstanciada no acórdão embargado, o que não pode ser feito por meio deste recurso.

 

Ante o exposto, o voto é no sentido de conhecer e REJEITAR OS ACLARATÓRIOS de ID nº 82953606. 


Salvador/BA, data registrada no sistema


 Des. Renato Ribeiro Marques da Costa 

Relator

 

RM01