PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Primeira Câmara Cível ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS COM REPETIÇÃO DO INDÉBITO E PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS COM PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO (rmc). CONTRATAÇÃO COMPROVADA. INSTRUMENTO CONTRATUAL E DOCUMENTOS PESSOAIS APRESENTADOS PELO BANCO. VALOR DO EMPRÉSTIMO CREDITADO NA CONTA DA AUTORA. DEPOIMENTO PESSOAL QUE CONFIRMA QUE TERCEIROS TINHAM ACESSO AO CARTÃO E À SENHA. AUTORA QUE RECONHECEU COMO SEU O DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO COLACIONADO AO CONTRATO. AUSÊNCIA DE PROVA DE FRAUDE OU IRREGULARIDADE NA FORMALIZAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO VÁLIDO. DESCONTOS LEGÍTIMOS. INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL OU DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos estes autos de n. 8000018-83.2021.8.05.0081, em que figuram como apelante FILOMENA MORAIS e como apelado BANCO PAN S.A..
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8000018-83.2021.8.05.0081
Órgão Julgador: Primeira Câmara Cível
APELANTE: FILOMENA MORAIS
Advogado(s): EDUARDO MARTINS VIEIRA
APELADO: BANCO PAN S.A.
Advogado(s):FELICIANO LYRA MOURA
ACORDÃO
ACORDAM os magistrados integrantes da Primeira Câmara Cível do Estado da Bahia, em CONHECER E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do Relator.
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL
| DECISÃO PROCLAMADA |
Conhecido e não provido - Por unanimidade
Salvador, 16 de Março de 2026.
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Primeira Câmara Cível RC 04 Trata-se de Apelação Cível interposta por FILOMENA MORAIS contra a sentença proferida pelo Juízo da 1ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais da Comarca de Formosa do Rio Preto/BA (id 88741188), que, nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS COM REPETIÇÃO DO INDÉBITO E PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS COM PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO n. 8000018-83.2021.8.05.0081 promovida contra o BANCO PAN S.A., julgou improcedentes os pedidos, condenando-a ao pagamento das custas e honorários advocatícios, estes no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, ficando suspensa a exigência da obrigação, entretanto, em face do deferimento da justiça gratuita. Em suas razões recursais (id 88741191), sustenta que jamais firmou contrato com o Banco, ressaltando ser pessoa idosa e analfabeta, circunstâncias que exigiriam a observância de formalidades específicas no momento da contratação. Afirma que o instrumento contratual apresentado pelo agravado não atende aos requisitos legais, pois não há assinatura a rogo válida, tampouco consta instrumento público ou procuração pública que pudesse suprir sua incapacidade de leitura e escrita. Alega que não recebeu qualquer quantia relacionada ao suposto empréstimo, razão pela qual não pode ser responsabilizada pelos descontos realizados ao longo do tempo. Argumenta que o vício formal e a ausência de comprovação do efetivo recebimento do valor tornam nulo o negócio jurídico, devendo o recorrido ser condenado a reparar os danos materiais e morais sofridos. Requer, ao final, o provimento do recurso, para que a sentença seja totalmente reformada, julgando procedentes os pedidos da exordial. A parte apelada apresentou contrarrazões (id 88741195), pugnando pleo desprovimento do recurso. Após examinados os autos, lancei neles o presente relatório. Solicito inclusão em pauta para julgamento, ressaltando que CABE sustentação oral, nos termos do artigo 937, I do CPC. Salvador, 02 de dezembro de 2025. Desembargador ROLEMBERG COSTA – Relator
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8000018-83.2021.8.05.0081
Órgão Julgador: Primeira Câmara Cível
APELANTE: FILOMENA MORAIS
Advogado(s): EDUARDO MARTINS VIEIRA
APELADO: BANCO PAN S.A.
Advogado(s): FELICIANO LYRA MOURA
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Primeira Câmara Cível Presentes as condições de admissibilidade do recurso, dele conheço. A sentença não merece reforma. O Banco apelado apresentou no id 88741148 o instrumento contratual assinado a rogo pela apelante, acompanhado de cópia do documento de identificação e demais elementos representativos da contratação, bem como o comprovante de que o valor contratado foi efetivamente creditado na sua conta bancária, dado que reforça a conclusão de que houve a celebração do negócio jurídico e o recebimento do montante disponibilizado. Importa registrar que a própria apelante, em depoimento pessoal prestado na audiência de instrução e julgamento (id id 88741185), admitiu que sua filha e seus netos têm acesso ao seu cartão bancário e à respectiva senha, circunstância que amplia a possibilidade de que terceiros tenham realizado movimentações financeiras sem pleno controle da titular. Apesar de afirmar que não se recorda de ter firmado o contrato impugnado, a apelante reconheceu como seu o documento de identificação juntado pelo Banco, documento este que integra o processo de formalização do empréstimo consignado. Tais elementos afastam a alegação de inexistência de contratação ou vício de consentimento. A prova dos autos evidencia que o contrato foi regularmente firmado e que a autora teve acesso ao valor disponibilizado, inexistindo demonstração de ato ilícito imputável à instituição financeira. Não há nos autos nenhum indício de fraude praticada pelo apelado, tampouco de que a instituição tenha agido com desídia na formalização do contrato. Assim, não demonstrada a irregularidade contratual, inexiste fundamento para declarar a nulidade pretendida, tampouco para reconhecer a ocorrência de danos morais ou repetir valores descontados, já que os descontos decorreram da própria contratação regularmente realizada. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Majoro os honorários fixados na sentença em 5% (cinco por cento), com fulcro no art. 85, § 11º do CPC, aplicando-se o art. 98, §3º do CPC, em razão da gratuidade de justiça deferida. Sala de Sessões, de de 2025. Desembargador ROLEMBERG COSTA – Relator
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8000018-83.2021.8.05.0081
Órgão Julgador: Primeira Câmara Cível
APELANTE: FILOMENA MORAIS
Advogado(s): EDUARDO MARTINS VIEIRA
APELADO: BANCO PAN S.A.
Advogado(s): FELICIANO LYRA MOURA
VOTO