PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Órgão Especial AGRAVO INTERNO. IMPUGNAÇÃO DE DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO A RECURSO ESPECIAL. DECISÃO EM CONFORMIDADE COM POSIÇÃO ADOTADA PELO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL JULGADO SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo 0506302-97.2018.8.05.0274, em que é agravante JHSF SALVADOR EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA e em que é parte agravada ADEILMA ALMEIDA VALLAS E OUTROS, ACORDAM os Desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos da certidão de julgamento. Salvador, (data registrada eletronicamente). Presidente Desembargador JOSÉ ALFREDO CERQUEIRA DA SILVA 2º Vice-Presidente Procurador de Justiça
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 0538109-86.2015.8.05.0001
Órgão Julgador: Órgão Especial
APELANTE: JHSF SALVADOR EMPREENDIMENTOS E INCORPORACOES LTDA.
Advogado(s): TAMARA BARBOSA SAO PAULO, BRUNO DE ALMEIDA MAIA
APELADO: ADEILMA ALMEIDA VALLAS e outros (9)
Advogado(s):MARCELO LINHARES, JOAQUIM GONCALVES MAGALHAES JUNIOR, LUIS SERGIO BARBOSA VASCONCELOS
ACORDÃO
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
ÓRGÃO ESPECIAL
| DECISÃO PROCLAMADA |
Conhecido e não provido Por Unanimidade
Salvador, 19 de Maio de 2025.
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Órgão Especial Trata-se de agravo interno (ID 79108457) interposto por JHSF SALVADOR EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA. contra decisão desta 2ª Vice-Presidência (ID 77734717) que negou seguimento ao recurso especial, com fundamento no art. 1.030, I, "b", do CPC, por estar o acórdão recorrido em consonância com os Temas 970 e 971 do STJ. Em suas razões recursais, a agravante sustenta, em síntese, que há distinguish no caso concreto que não permite a aplicação dos Temas 970 e 971 do STJ. Alega que a distinção ocorre porque tais temas exigem que haja inadimplemento do vendedor e que não ocorra desestabilização da relação contratual em razão da inversão da cláusula penal, o que, segundo afirma, ocorreria no caso dos autos. Aduz que a inversão da cláusula penal deveria ser aplicada na mesma simetria em que redigida para aplicação ao agravado, a incidir sobre o valor por ele pago, pois representaria valor dissociado da realidade de mercado e, portanto, desestabilizador da relação contratual. Contrarrazões apresentadas pelos agravados (ID 80923530), sustentando a consonância do acórdão recorrido com as teses firmadas pelo STJ, a ausência de demonstração de desequilíbrio contratual e o caráter protelatório do recurso, requerendo ainda a aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. Em cumprimento ao art. 931, do CPC/2015, restituo os autos à Secretaria, com relatório, uma vez que não houve retratação por parte desta Relatoria, salientando que o presente recurso NÃO é passível de sustentação oral, nos termos do art. 937, do Código de Processo Civil, e art. 187, §2º, do RITJBA (Alterado conforme a Emenda Regimental N. 10, de 13 de novembro de 2024). Inclua-se o feito na pauta de julgamento. Salvador, (data registrada eletronicamente). Desembargador JOSÉ ALFREDO CERQUEIRA DA SILVA 2º Vice-Presidente
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 0538109-86.2015.8.05.0001
Órgão Julgador: Órgão Especial
APELANTE: JHSF SALVADOR EMPREENDIMENTOS E INCORPORACOES LTDA.
Advogado(s): TAMARA BARBOSA SAO PAULO, BRUNO DE ALMEIDA MAIA
APELADO: ADEILMA ALMEIDA VALLAS e outros (9)
Advogado(s): MARCELO LINHARES, JOAQUIM GONCALVES MAGALHAES JUNIOR, LUIS SERGIO BARBOSA VASCONCELOS
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Órgão Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do Agravo Interno. No mérito, verifico que não assiste razão à agravante. A questão controvertida cinge-se à aplicabilidade dos Temas 970 e 971 do STJ ao caso concreto, em que houve a condenação da construtora agravante ao pagamento de indenização por atraso na entrega do imóvel, mediante a inversão da cláusula penal prevista contratualmente apenas em desfavor do adquirente. No que concerne à aplicação dos Temas 970 e 971 do STJ, cujas teses foram assim fixadas: TEMA 970: "A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes". TEMA 971: "No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer e de dar) serão convertidas em dinheiro, por arbitramento judicial." A agravante sustenta que há distinguishing no caso concreto, argumentando que a aplicação dos referidos temas causaria desequilíbrio contratual. Contudo, não demonstra de forma clara e objetiva qual seria a distinção fática entre o caso em análise e aqueles que fundamentaram os temas repetitivos. Ao contrário, o que se verifica é que o caso dos autos amolda-se perfeitamente às hipóteses enfrentadas pelo STJ, tratando-se de contrato de adesão firmado entre comprador e construtora/incorporadora, com previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, e inadimplemento da construtora quanto à entrega do imóvel no prazo contratual. Conforme bem destacou o acórdão recorrido, a condenação da construtora ao pagamento de cláusula penal na importância de 0,5% do preço total do imóvel por mês de atraso, corrigido monetariamente pelo INCC, a partir do efetivo prejuízo e com incidência de juros de mora de 1% ao mês, a partir da citação, está em conformidade com os parâmetros estabelecidos pelo STJ. A mera alegação genérica de desequilíbrio contratual, sem a demonstração específica de como a condenação imposta resultaria em enriquecimento sem causa ou desproporção, não é suficiente para afastar a aplicação das teses firmadas em recursos repetitivos. Assim, constata-se que o acórdão recorrido observou as teses firmadas nos Temas 970 e 971 do STJ, adotando critérios justos e proporcionais para a fixação da indenização decorrente do atraso na entrega do imóvel, razão pela qual foi corretamente aplicado o art. 1.030, I, "b", do CPC, para negar seguimento ao recurso especial. Em face do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Agravo Interno, mantendo integralmente a decisão agravada. Salvador, (data registrada eletronicamente). Desembargador JOSÉ ALFREDO CERQUEIRA DA SILVA 2º Vice-Presidente
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 0538109-86.2015.8.05.0001
Órgão Julgador: Órgão Especial
APELANTE: JHSF SALVADOR EMPREENDIMENTOS E INCORPORACOES LTDA.
Advogado(s): TAMARA BARBOSA SAO PAULO, BRUNO DE ALMEIDA MAIA
APELADO: ADEILMA ALMEIDA VALLAS e outros (9)
Advogado(s): MARCELO LINHARES, JOAQUIM GONCALVES MAGALHAES JUNIOR, LUIS SERGIO BARBOSA VASCONCELOS
VOTO