PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Quarta Câmara Cível 



Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8006946-67.2020.8.05.0022
Órgão Julgador: Quarta Câmara Cível
APELANTE: BANCO ITAU BMG CONSIGNADO S.A.
Advogado(s): ENY ANGÉ SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAÚJO
APELADO: MANOEL FLORENCIO RODRIGUES
Advogado(s):KARIZA PRISCILA CARVALHO SANTOS

 

ACORDÃO

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. INDÍCIOS DE ANUÊNCIA DOS TERMOS CONTRATADOS ATRAVÉS DO CONTRATO ASSINADO. ASSINATURA DO CONTRATO QUE CORRESPONDE COM A ASSINATURA DO DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO. VALOR DEPOSITADO NA CONTA DO AUTOR. DESCONTOS POR QUASE 3 ANOS. DESCONTOS DEVIDOS. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SENTENÇA REFORMADA. AÇÃO IMPROCEDENTE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.



Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo nº 8006946-67.2020.8.05.0022, em que é apelante o BANCO ITAÚ BMG CONSIGNADO S.A. e apelado MANOEL FLORENCIO RODRIGUES,



ACORDAM os Desembargadores integrantes da Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso da parte ré, nos termos da certidão de julgamento.



Presidente  

Des. Angelo Jeronimo e Silva Vita
Relator


Procurador de Justiça

 

 

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

 QUARTA CÂMARA CÍVEL

 

DECISÃO PROCLAMADA

Dado provimento por unanimidade. Presente o Bel. Iuri Lemos.

Salvador, 10 de Fevereiro de 2026.

 


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Quarta Câmara Cível 

Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8006946-67.2020.8.05.0022
Órgão Julgador: Quarta Câmara Cível
APELANTE: BANCO ITAU BMG CONSIGNADO S.A.
Advogado(s): ENY ANGÉ SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAÚJO
APELADO: MANOEL FLORENCIO RODRIGUES
Advogado(s): KARIZA PRISCILA CARVALHO SANTOS

 

RELATÓRIO

Trata-se de apelação cível interposta pela parte acionada em face de sentença que julgou parcialmente procedente a ação para condenar o réu a suspender de forma definitiva os descontos na aposentadoria da parte autora que decorrem de empréstimo consignado, além de condená-lo à devolver em dobro os valores indevidamente cobrados e a pagar ao autor indenização por danos morais no valor de cinco mil reais.

Em suas razões, o recorrente diz que houve cerceamento de defesa porque, o juízo deveria ter determinado, de ofício, a produção de perícia grafotécnica para que fosse reconhecida a assinatura da autora. Nesse mesmo sentido, diz que foi requerida a expedição de ofício ao Banco do Brasil para que restassem comprovadas as ordens de pagamento em favor da parte autora e que o pedido não foi apreciado.

Ademais, sustenta que o contrato questionado foi celebrado em 2017 no valor de R$ 575,83 e que a quitação ocorreria mediante desconto em benefício previdenciário da parte autora, além de que o valor tomado por empréstimo foi disponibilizado na conta da parte autora por meio de transferência bancária. Para mais, defende que as assinaturas constantes no contrato e no instrumento de procuração são identificas, o que é mais um indício de legitimidade da contratação. 

Para mais, diz que não cometeu ato ilícito que gere dever de indenizar, tampouco no valor fixado pelo juízo, de modo que requer a exclusão da condenação e, na hipótese de manutenção, que seja fixado em valor proporcional ao caso e que os juros de mora dos danos morais sejam fixados a partir do arbitramento da sentença. Por fim, defende que também não há que se falar em indenização por dano material, de modo que deve ser excluída a restituição em dobro pelos descontos e, subsidiariamente, requer que o termo inicial da correção monetária seja aplicado a partir da citação.

Em resposta, o recorrido diz que desconhece a assinatura do contrato e por isso não se pode considerar válida a suposta contratação, além de que não há necessidade de prova pericial porque existem elementos suficientes para evidenciar a inexistência da contratação. Por fim, sustenta que deve receber em dobro os valores descontados em seu benefício previdenciário porque foi cobrado indevidamente e que a indenização por dano moral deve ser mantida já que a conduta ilícita do banco lhe causou prejuízos.

Restituo os autos à secretaria, solicitando a sua inclusão em pauta para julgamento.


Salvador, 25 de agosto de 2025.

 

Des. Angelo Jeronimo e Silva Vita
Relator



PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Quarta Câmara Cível 



Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8006946-67.2020.8.05.0022
Órgão Julgador: Quarta Câmara Cível
APELANTE: BANCO ITAU BMG CONSIGNADO S.A.
Advogado(s): ENY ANGÉ SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAÚJO
APELADO: MANOEL FLORENCIO RODRIGUES
Advogado(s): KARIZA PRISCILA CARVALHO SANTOS

 

VOTO

CONHEÇO do recurso porque é da espécie correta para impugnar a decisão recorrida, porque a parte recorrente é legitimada para tanto e detentora de interesse recursal, porque não há causa impeditiva ou extintiva de seu direito de recorrer, porque sua forma é adequada, porque é tempestivo e porque está devidamente preparado.

À análise dos autos, noto que, apesar da apelante alegar que houve cerceamento de defesa porque não foi realizada perícia técnica, noto que, em verdade, ele sequer requereu a produção de tal prova e, quando questionado, disse que não tinha mais provas a produzir. Além disso, acerca do ofício ao Banco Central, cabe destacar que o simples fato do juízo não ter concedido a produção de prova por ele pleiteado não significa, necessariamente, cerceamento de defesa.

Acerca da forma de validação da contratação, noto que todos os meios de prova apresentados pela acionada mostram-se válidos. Isso porque o contrato em questão (Id 88588904) foi assinado de forma manuscrita e a assinatura é muito similar a do seu documento de identificação (Id 88588890), o que é indício de regularidade na contratação.

Outrossim, está devidamente demonstrado no conjunto probatório que, além de ter contratado o serviço, a parte autora efetivamente recebeu o valor do empréstimo, pois, por meio do comprovante de transferência apresentado, é possível ver que o valor solicitado no saque foi depositado em conta de sua titularidade (ID 88588907) e que não houve tentativa de devolvê-lo. Ou seja, há prova documental tanto da contratação do empréstimo consignado no benefício previdenciário quanto do recebimento do capital tomado por empréstimo.

Outrossim, é mencionado pela parte autora que os descontos objeto da lide se iniciaram no ano de 2017 quando foi celebrado o contrato, enquanto a demanda judicial visando a suspensão dos supostos descontos indevidos apenas foi proposta em agosto de 2020. Desse modo são reunidos indícios suficientes para comprovar que a parte autora efetivamente realizou a contratação do empréstimo consignado e que anuiu com os descontos em folha, de modo que não há qualquer ilícito cometido pela ré.

Reconhecida a existência de relação jurídica entre as partes e a ausência de ato ilícito pela ré, não há que se falar em indenização por danos morais ou devolução da quantia descontada.

Ante o exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso da parte acionada para reformar a sentença e julgar improcedente a ação. Por conseguinte, inverto o ônus da sucumbência, de modo que fica a parte autora condenada a pagar a integralidade das custas processuais e a pagar ao advogado do réu honorários advocatícios no percentual de 15% sobre o valor atualizado da causa, observado o disposto no art. 98, 3º, do CPC.



Salvador, (data registrada eletronicamente)


Des. Angelo Jeronimo e Silva Vita

 

Relator