PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Seção Cível de Direito Público 



Processo: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL n. 8020842-49.2020.8.05.0000
Órgão Julgador: Seção Cível de Direito Público
IMPETRANTE: DJALMO PEREIRA DA CRUZ JUNIOR
Advogado(s): MATHEUS ALVES TORRES, CERES RABELO MADUREIRA
IMPETRADO: IBFC - INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMACAO E CAPACITACAO e outros (3)
Advogado(s):RICARDO RIBAS DA COSTA BERLOFFA

 

ACORDÃO

 

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. ANULAÇÃO DE QUESTÃO DE PROVA OBJETIVA. SEGURANÇA PARCIALMENTE CONCEDIDA.
I. Caso em exame

1.Trata-se de mandado de segurança impetrado por Djalmo Pereira da Cruz em face de suposto ato ilegal atribuído ao Governador do Estado da Bahia, ao Secretário da Administração do Estado da Bahia e ao Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação – IBFC, objetivando a anulação das questões 04, 29, 51, 63 e 75 da prova objetiva do Concurso Público regido pelo Edital SAEB/02/2019, alegando inconsistências técnicas e erro na formulação das respectivas respostas.

II. Questão em discussão
2. Discute-se se é possível a anulação judicial de questões da prova objetiva de concurso público, sob o argumento de erro material ou incompatibilidade com o conteúdo programático previsto no edital, de forma a assegurar ao impetrante o direito líquido e certo de prosseguir nas etapas seguintes do certame.

III. Razões de decidir
3. Rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva do Governador do Estado, por ser autoridade competente para a nomeação dos candidatos aprovados.
4. Também afastada a alegação de litisconsórcio passivo necessário, conforme jurisprudência consolidada do STJ.
5. Reconhecida a legitimidade passiva do IBFC, por atuar como executor do certame e participar da elaboração das questões impugnadas.
6. A jurisprudência, com fundamento no IRDR nº 8034581-89.2020.8.05.0000 (Tema 14), veda a substituição da banca examinadora pelo Judiciário, exceto em caso de flagrante ilegalidade ou erro grosseiro.
7. Constatado que apenas a questão nº 75 apresentou erro grosseiro, justificando sua anulação. As demais questões impugnadas (04, 29, 51 e 63) são válidas, conforme a tese fixada no IRDR.

IV. Dispositivo e tese
8. Segurança parcialmente concedida para declarar a nulidade da questão nº 75 da prova objetiva do concurso regido pelo Edital SAEB/02/2019, determinando-se a reclassificação do impetrante, com o consequente prosseguimento nas etapas seguintes, caso atinja a pontuação necessária.
Tese de julgamento:
"1. É possível a anulação judicial de questão de concurso público apenas quando constatado erro grosseiro ou flagrante desconformidade com o conteúdo programático previsto no edital.
2. A questão nº 75 da prova objetiva do Concurso para o Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar da Bahia, regido pelo Edital SAEB/02/2019, deve ser anulada por apresentar erro grosseiro."

 

 

Dispositivos legais relevantes citados: Lei nº 12.016/09, art. 1º e art. 25.
Jurisprudência relevante citada: TJBA, IRDR nº 8034581-89.2020.8.05.0000 (Tema 14).

 

 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do MANDADO DE SEGURANÇA nº 8020842-49.2020.8.05.0000 em que figuram como parte impetrante Djalmo Pereira da Cruz e como autoridades coatoras o Governador do Estado da Bahia, o Secretário da Administração do Estado da Bahia e o Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação – IBFC:

 

ACORDAM os Desembargadores integrantes da Seção Cível de Direito Público do Tribunal de Justiça da Bahia, à unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, CONCEDER PARCIALMENTE A SEGURANÇA, nos termos do voto da eminente Relatora.

 

Salvador, data registrada no sistema. 

 

PRESIDENTE

 

RELATOR

 

PROCURADOR(A) DE JUSTIÇA

RM02

 

 

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

 SEÇÃO CÍVEL DE DIREITO PÚBLICO

 

DECISÃO PROCLAMADA

Concessão em parte Por Unanimidade

Salvador, 29 de Abril de 2025.

 


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Seção Cível de Direito Público 

Processo: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL n. 8020842-49.2020.8.05.0000
Órgão Julgador: Seção Cível de Direito Público
IMPETRANTE: DJALMO PEREIRA DA CRUZ JUNIOR
Advogado(s): MATHEUS ALVES TORRES, CERES RABELO MADUREIRA
IMPETRADO: IBFC - INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMACAO E CAPACITACAO e outros (3)
Advogado(s): RICARDO RIBAS DA COSTA BERLOFFA

 

RELATÓRIO

 

 

Trata-se de mandado de segurança impetrado por Djalmo Pereira da Cruz contra ato supostamente ilegal atribuído ao Governador do Estado da Bahia, ao  Secretário da Administração do Estado da Bahia  e outros, objetivando a anulação das questões 04, 29, 51, 63 e 75, da prova objetiva do Concurso Público para Seleção de Candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar da Bahia (Edital SAEB/02/2019), sob a alegação de suposto equívoco na sua elaboração e na respectiva resposta apresentada no gabarito oficial.

 

Requer, inicialmente, o impetrante a concessão do benefício da assistência judiciária gratuita, por não possuir recursos financeiros suficientes para arcar com as despesas do processo.

 

Adentrando aos fatos em causa, aduz que as questões 04, 29, 51,63 e 75 da prova objetiva do concurso referenciado, apresentam flagrante ilegalidade, exceção que autoriza o controle judicial das assertivas e respostas dadas em certame público, como assegura a jurisprudência do STJ.

 

Aduz que os Tribunais vem concedendo liminares a candidatos prejudicados por ilegalidades em concursos públicos e que no caso em análise restou demonstrado  erro grosseiro nas questões, equívocos esses capazes de fazer intervir o Poder Judiciário para sanar a ilegalidade.

 

Prossegue asseverando que “diante de dubiedade, falta de clareza e erros interpretativos evidentes, é possível que o Judiciário proceda ao reparo, não porque está realizando controle do mérito administrativo, mas, sim, procedendo ao controle de legalidade, vez que as questões de um concurso público devem prezar pela clareza e objetividade..”

 

Desenvolvendo seus argumentos nesse sentido, pugna pelo deferimento do provimento liminar para“que sejam anuladas as questões 04, 29, 51, 63 e 75, face a flagrante nulidade das mesmas, e que seja creditados os pontos ao Impetrante da prova objetiva, e caso atinja a pontuação que o deixe dentro da classificação necessária, sendo convocado IMEDIATAMENTE para ter sua redação corrigida, bem como para participar das demais etapas do Concurso.” No mérito, requer a concessão da segurança.

 

Com a inicial vieram encartados os documentos de ID 8781317 e seguintes.

 

A liminar pleiteada fora indeferida por meio de decisão monocrática de ID 8850672.

 

Devidamente intimado, o Estado da Bahia apresentou intervenção (ID 9178516), aduzindo em preliminar: (i) Ilegitimidade passiva do Governador do Estado da Bahia, pois a condução do certame é de responsabilidade da Secretaria da Administração e do Comandante Geral da PMBA; (ii) Necessidade de litisconsórcio passivo com os demais candidatos do concurso, uma vez que eventual anulação da questão impactaria toda a classificação.

 

No mérito, defende a legalidade da questão impugnada, destacando que seu conteúdo está alinhado ao edital e que a anulação isolada para um candidato violaria a isonomia do certame.

 

Informações prestadas pelo Secretário de Administração e pelo Governador do Estado da Bahia (ID 9179655 e ID 10276469).

 

O IBFC - Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação, em contestação (ID 12602117), suscitou preliminar de ilegitimidade passiva, argumentando que sua atuação se limitou à execução do certame conforme as diretrizes da Administração Pública, não sendo responsável pelas decisões relativas à formulação e correção das provas. No mérito, reforça a legalidade da questão impugnada e sustenta a impossibilidade de reanálise judicial do conteúdo da prova.

 

A parte impetrante, devidamente intimada, não se manifestou acerca das preliminares suscitadas, conforme certidão de ID 14881573.

 

Em decisão de ID 14904299, foi determinada suspensão do feito, tendo por base o quanto determinado no IRDR – Incidente de Resolução de Demanda Repetitivas nº 8034581-89.2020.8.05.0000 (Tema 14).

 

Certidão de levantamento de suspensão (ID 49220233).

 

O Ministério Público, em parecer de ID 71604125, manifestou-se pela desnecessidade de sua intervenção no feito

 

É o relatório.

 

Em cumprimento ao art. 931, do CPC, restituo os autos à r. Secretaria desta Câmara, ao tempo em que solicito dia para julgamento, salientando se tratar de ação passível de sustentação oral, nos termos do art. 937, VI, do mesmo diploma legal.

 

Salvador, data registrada no sistema. 

Des. Renato Ribeiro Marques da Costa 

Relator 

RM02

 


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL  DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

  Seção Cível de Direito Público 



Processo: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL n. 8020842-49.2020.8.05.0000
Órgão Julgador: Seção Cível de Direito Público
IMPETRANTE: DJALMO PEREIRA DA CRUZ JUNIOR
Advogado(s): MATHEUS ALVES TORRES, CERES RABELO MADUREIRA
IMPETRADO: IBFC - INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMACAO E CAPACITACAO e outros (3)
Advogado(s): RICARDO RIBAS DA COSTA BERLOFFA

 

VOTO

 

 

Trata-se de mandado de segurança impetrado por Djalmo Pereira da Cruz contra ato supostamente ilegal atribuído ao Governador do Estado da Bahia, ao  Secretário da Administração do Estado da Bahia  e outros, objetivando a anulação das questões 04, 29, 51, 63 e 75, da prova objetiva do Concurso Público para Seleção de Candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar da Bahia (Edital SAEB/02/2019), sob a alegação de suposto equívoco na sua elaboração e na respectiva resposta apresentada no gabarito oficial.

 

Antes de analisar o mérito, necessário o enfrentamento da questão preliminar.

 

Não merece guarida a alegação de ilegitimidade passiva do Governador do Estado Da Bahia, posto que a aprovação do Impetrante em todas as etapas do certame implica a sua nomeação, que é ato de competência exclusiva do Governador do Estado.

 

Neste contexto, a lei 12.096/09 que dispõe sobre o mandado de segurança preleciona o seguinte:

 

Art. 6º.: (...); § 3 o Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática.

 

Neste sentido a jurisprudência deste Tribunal de Justiça:

 

MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. DESCLASSIFICAÇÃO DO IMPETRANTE. DESCABIMENTO. SUPOSTA INTEMPESTIVIDADE NA ENTREGA DO EXAME MÉDICO PREVISTO NO EDITAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À ADMINISTRAÇÃO. OBSERVADOS OS POSTULADOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PREJUDICADO. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA AFASTADA. ORDEM CONCEDIDA. 1. A análise detida dos autos revela não haver dúvidas quanto à indicação da autoridade coatora indicada na peça de ingresso, porquanto o edital do certame sub examine menciona expressamente a SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA, bem como a POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DA BAHIA como órgãos responsáveis pela execução do concurso público regido pelo edital SAEB/01/2013, donde se infere que o impetrado está legitimado para figurar no polo passivo da presente demanda, com o que detém atribuição para desfazer o ato vergastado ou dar cumprimento à determinação mandamental. Por razões que tais, rejeita-se a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam hasteada. desse modo, que a quaestio iuris trazida à baila é de simples solução, dispensando maiores delongas. (...) Assim, sobejou patenteada a violação ao direito líquido e certo do impetrante amparável pelo writ of mandamus. (MS 0020683-92.2013.8.05.0000, TJ/BA, Seção Cível de Direito Público, Rel. JOSÉ EDIVALDO ROCHA ROTONDANO, Data do julgamento em 20/02/2014, Data de registro em 21/02/2014)

 

De referência ao litisconsórcio passivo necessário, esta deve ser rechaçada. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu ser dispensável a citação de todos os demais candidatos aprovados em concurso público para impetração de mandado de segurança, porque possuidores de mera expectativa ao direito à nomeação. 

 

Ementa: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. INOCORRÊNCIA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou (fl. 632, e-STJ): "Como se observa, o CESPE/UnB é mero executor do certame, contratado, neste caso, pelo Estado do Piauí para elaboração e execução do processo seletivo, não possuindo, assim, razão para se acatar as preliminares arguidas pelo Estado". [...] 3. O Superior Tribunal de Justiça entende que, em se tratando de concurso público, não há a formação de litisconsórcio passivo necessário, visto que os candidatos detêm apenas expectativa de direito à nomeação. [...]5. Agravo Interno não provido. (STJ - AgInt no REsp: 1747897 PI 2018/0139480- 4, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 07/02/2019, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/03/2019). (grifos aditados)

 

Quanto à preliminar de ilegitimidade passiva arguida pelo do Instituto Brasil de Formação e Capacitação – IBFC, esta não merece prosperar. Afinal a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica ao afirmar que, não compete ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas, motivo que legitima a presença do IBFC no polo passivo da presente ação.

 

Deste modo, REJEITAM-SE AS PRELIMINAR.

 

Ultrapassada as preliminares arguidas, passa-se ao exame do mérito do mandado de segurança.

 

O Cerne da controvérsia cinge-se em verificar se o Impetrante possui o direito líquido e certo à anulação das questões 04, 29, 51, 63 e 75 da Prova Objetiva, do Concurso Público para Seleção de Candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar da Bahia e do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (Edital SAEB n.º 02/2019), cuja atribuição de pontos, segundo alega, lhe asseguraria prosseguir nas demais etapas do certame.

 

No entanto, a pretensa anulação das questões mencionadas não demanda maiores reflexões. A matéria submetida a julgamento teve sua tese jurídica fixada no Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) n. 8034581-89.2020.8.05.0000 (Tema 14), nos seguintes termos:

 

 

“INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS. CONCURSO PÚBLICO PARA SELEÇÃO DE CANDIDATOS AO CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS DA POLÍCIA MILITAR DE 2019 (EDITAL SAEB 02/2019). PEDIDO DE ANULAÇÃO DAS QUESTÕES 4, 6, 7, 16, 19, 21, 33, 34, 51, 53, 62, 63, 65, 68, 70, 72 E 75, DA PROVA OBJETIVA DO CONCURSO PÚBLICO PARA SELEÇÃO DE CANDIDATOS AO CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR, E QUESTÕES 15, 18, 41 E 57, DA PROVA OBJETIVA PARA SOLDADO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR. ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS QUE VEDAM A SUBSTITUIÇÃO DA BANCA EXAMINADORA PELO PODER JUDICIÁRIO, EXCETO NO CASO DE JUÍZO DE COMPATIBILIDADE DO CONTEÚDO DAS QUESTÕES DO CONCURSO COM O PREVISTO NO EDITAL DO CERTAME. PRECEDENTES DESTA CORTE E DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. QUESTÕES 41 DA PROVA PARA SOLDADO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR E 75 DA PROVA PARA SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR QUE APRESENTAM ERRO GROSSEIRO. ANULAÇÃO. MEDIDA QUE SE IMPÕE. DEMAIS QUESTÕES DISCUTIDAS QUE NÃO APRESENTAM A ALEGADA INCOMPATIBILIDADE COM O CONTEÚDO PROGRAMÁTICO. VALIDADE DAS INQUIRIÇÕES DECLARADA. APROVAÇÃO DE TESES VINCULANTES. JULGAMENTO DA CAUSA PILOTO. CONCESSÃO PARCIAL DA SEGURANÇA.

1. O presente Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas tem por finalidade, em resumo, definir se são legais ou ilegais as questões n.º 4, 6, 7, 16, 19, 21, 33, 34, 51, 53, 62, 63, 65, 68, 70, 72 e 75, da prova objetiva do Concurso Público para seleção de candidatos ao Curso de Formação de soldado da Polícia Militar, e questões 15, 18, 41 e 57, da prova objetiva para soldado do Corpo de Bombeiros Militar – Edital SAEB 02/2019.

2. Sobre o tema, é pacífico no âmbito deste Tribunal e também nos Tribunais Superiores o entendimento de que o Poder Judiciário não pode apreciar os critérios de formulação das questões ou de correção das provas, por dizer respeito ao mérito administrativo de atuação da Banca Examinadora, sendo vedado, portanto, substituí-la neste papel.

3. Os critérios de formulação de questões de provas objetivas estão, desta forma, sujeitos ao crivo da organizadora do Certame, pelo que o Judiciário somente pode anulá-las em caso de flagrante ilegalidade ou na hipótese de contrariedade às regras editalícias, funcionando o princípio da motivação como instrumento deste controle. (STF, RE 632853, Rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, Repercussão Geral, j. 23/04/2015, DJE, 29/06/2015)

4. Ciente destes ensinamentos e realizando a análise da questão 41 da prova objetiva para soldado do Corpo de Bombeiros Militar, é possível verificar a existência de erro grosseiro na resposta indicada pela Banca, pelo que deve a inquisição ser anulada.

5. O mesmo se pode dizer da questão 75, da prova para objetiva para soldado da Polícia Militar do Estado da Bahia, ante a sua incompatibilidade com o conteúdo programático, por apresentar um erro grosso, devendo também ser anulada.

6. Realizando o juízo de compatibilidade das demais questões com o conteúdo programático exigido pelo Edital, é possível verificar que não estão configuradas as discrepâncias indicadas pelos candidatos, nas várias Demandas que visam a anulação de pelo menos 20 questões.

7. Apreciadas as inquirições, uma a uma, inclusive demonstrando como deveriam ter sido resolvidas, constatou-se que inexistem os alegados erros grosseiros ou incompatibilidades com o conteúdo exigido, não se encontrando evidenciada nenhuma irregularidade que reclame a adoção de medidas visando a sua anulação.

8. Firme nestes fundamentos, fica aprovada a seguinte tese jurídica vinculante: “Não cabe ao Poder Judiciário substituir a Banca Examinadora para declarar a invalidade das questões n.º 4, 6, 7, 16, 19, 21, 33, 34, 51, 53, 62, 63, 65, 68, 70 e 72, da prova objetiva do Concurso Público para seleção de candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar, e questões 15, 18 e 57, da prova objetiva para soldado do Corpo de Bombeiros Militar, relativas ao Edital SAEB 02/2019, sendo válidas as referidas inquirições, eis que, na resolução, não restou comprovada a incompatibilidade com o conteúdo programático exigido pelo instrumento convocatório.” 

9. Aprova-se também a seguinte tese vinculante: “Deve ser anulada a questão 41, da prova para soldado do Corpo de Bombeiros Militar, por apresentar a alternativa apontada como correta um erro grosseiro.” 

10. Aprova-se ainda a seguinte tese jurídica vinculante: “Deve ser anulada a questão 75, da prova objetiva do Concurso Público para seleção de candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar, por apresentar a alternativa apontada como correta pela banca examinadora um erro grosseiro.” 

11. Apreciando a causa piloto, afasta-se a preliminar de litisconsórcio necessário e, no mérito, CONCEDE-SE PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para anular a questão 41 da prova objetiva para soldado do Corpo de Bombeiros Militar e, por conseguinte, determinar a reclassificação da candidata. Caso obtenha êxito em atingir a pontuação necessária, fica de logo determinado o seu prosseguimento no certame e a realização das etapas seguintes.”

(TJ-BA – MS: 8034581-89.2020.8.05.0000, Relator: Des. Raimundo Sérgio Sales Cafezeiro, SECAO CÍVEL DE DIREITO PUBLICO, Data de Publicação: 24/11/2022).

 

Assim, considerando a natureza vinculante das teses acima transcritas, e tendo em vista que no caso concreto objetiva o impetrante a anulação das questões nº 04, 29, 51, 63 e 75, da prova objetiva do Concurso Público para seleção de candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar, o caso é de concessão parcial da segurança, apenas para, nos moldes do quanto enunciado no julgamento do IRDR nº 8034581-89.2020.8.05.0000, promover a anulação da questão de nº 75, sendo indevida a incursão do Judiciário quanto à pretensão de invalidade das demais questões.

 

Face ao exposto, o voto é no sentido de  REJEITAR AS PRELIMINARES suscitadas, e no mérito, CONCEDER EM PARTE A SEGURANÇA vindicada, para declarar a anulação, apenas, da questão de nº 75 da prova objetiva do Concurso Público para seleção de candidatos ao Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar, e, por conseguinte, determinar a reclassificação do impetrante, para que, caso obtenha êxito em atingir a pontuação necessária, prossiga no certame realizando as etapas seguintes.

 

Ausente condenação em honorários advocatícios sucumbenciais, por expressa vedação legal (art. 25 da Lei nº 12.016/09).


 

Salvador, data registrada no sistema. 

Des. Renato Ribeiro Marques da Costa 

Relator 

RM02