PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Quinta Câmara Cível DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PASEP. SUPOSTA MÁ ADMINISTRAÇÃO DE CONTA VINCULADA. LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. INAPLICABILIDADE DO CDC. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta por SAULO MIRANDA FEITOZA em face de sentença que julgou improcedentes os pedidos formulados na ação indenizatória movida contra o BANCO DO BRASIL S/A, os quais visavam à condenação do réu ao pagamento de diferenças decorrentes de suposta má administração da conta vinculada ao PASEP, na monta de mais de R$ 411.000,00 (quatrocentos e onze mil reais), bem como à reparação por danos morais no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais). II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há cinco questões em discussão: (i) saber se merece acolhimento a impugnação à gratuidade de justiça deferida ao apelante; (ii) saber se há fundamento para suspensão do feito por força do Tema Repetitivo nº 1.300 do STJ; (iii) saber se o Banco do Brasil detém legitimidade passiva para responder pela presente demanda; (iv) saber se a Justiça Estadual é competente para processar e julgar a causa; e (v) saber se restou demonstrada a prática de ato ilícito pelo apelado na administração da conta vinculada ao PASEP do apelante, apto a ensejar o dever de indenizar. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A impugnação à gratuidade de justiça revela-se excessivamente genérica, desacompanhada de elementos probatórios novos ou de circunstâncias supervenientes que infirmem a presunção estabelecida no § 3º do art. 99 do CPC. Inexistindo demonstração objetiva de que o beneficiário possui condições de arcar com as custas processuais, deve prevalecer a presunção relativa de veracidade da declaração de hipossuficiência. 4. A suspensão do feito em razão do Tema Repetitivo nº 1.300 do STJ não se justifica. A controvérsia dos presentes autos não se circunscreve às teses afetadas naquele precedente qualificado, mas versa especificamente sobre a ocorrência ou não de prescrição no caso concreto e sobre eventual irregularidade na atualização dos valores da conta individual do PASEP. 5. O Banco do Brasil possui legitimidade passiva para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto a conta vinculada ao PASEP, conforme tese fixada no Tema nº 1.150 do STJ. A causa de pedir deduzida na petição inicial não impugna os critérios de correção e juros estabelecidos pelo Conselho Diretor do Fundo PIS-PASEP, mas sim a suposta falha na prestação do serviço pelo Banco do Brasil, enquanto administrador das contas individuais. 6. A competência é da Justiça Estadual. A causa de pedir não se volta contra as normas de gestão do PASEP, mas contra suposta falha do Banco do Brasil na administração operacional da conta individual do autor. A relação jurídica é de natureza privada, estabelecida entre o correntista e a instituição financeira depositária (sociedade de economia mista), sem que haja interesse direto da União a justificar o deslocamento da competência. 7. O Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público não se enquadra como relação de consumo, tratando-se de benefício social concedido aos servidores públicos, submetido a regramento legal específico. Verificada a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor ao caso, não se mostra possível a inversão do ônus da prova. 8. Cabia ao apelante comprovar o fato constitutivo do direito que entende possuir, ou seja, a má administração pelo Banco do Brasil dos valores depositados em sua conta PASEP, nos termos do art. 373, I, do CPC. O apelante não se desincumbiu do ônus de demonstrar a efetiva omissão da instituição financeira quanto à atualização devida da conta vinculada ao PASEP, ou a ocorrência de saques indevidos e desfalques. 9. O autor limitou-se a fazer considerações acerca da suposta diferença entre o que deveria ter recebido e o que de fato recebeu, formulando alegações genéricas e não indicando concretamente qual seria o ato ilícito praticado. A parte autora sequer trouxe planilha de débitos demonstrando a diferença a ser paga. Os cálculos mencionados na apelação foram produzidos unilateralmente, sem observância dos parâmetros oficiais estabelecidos pelo Conselho Diretor do Fundo. 10. O apelado demonstrou a legislação aplicável e justificou o saldo existente de forma verossímil, de modo a afastar as alegações autorais, cumprindo o disposto no art. 373, II, do CPC. 11. Quanto ao pleito de compensação por danos morais, não se divisam nos autos elementos capazes de demonstrar lesão à esfera extrapatrimonial do recorrente. Meras divergências sobre saldos e frustrações de expectativas financeiras não ensejam, por si só, reparação moral, sendo necessária a demonstração de sofrimento exacerbado ou violação da dignidade da pessoa. Ausente a prova do ato ilícito e, consequentemente, de abalo psíquico ou de constrangimento anormal, não há que se falar em configuração de dano moral indenizável. IV. DISPOSITIVO E TESE 12. Recurso desprovido. Sentença de primeiro grau mantida integralmente. Majoração dos honorários advocatícios sucumbenciais para 11% (onze por cento) sobre o valor atualizado da causa, observada a suspensão da exigibilidade em razão de o apelante litigar sob o pálio da gratuidade judiciária. Tese de julgamento: "1. O Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto a conta vinculada ao PASEP. 2. Compete à Justiça Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte o Banco do Brasil S/A relacionadas à administração de contas PASEP, quando a pretensão versa sobre suposta falha na prestação do serviço bancário, e não sobre atos de gestão do fundo atribuíveis à União. 3. O Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público não se enquadra como relação de consumo, sendo inaplicável o Código de Defesa do Consumidor. 4. Cabe ao autor comprovar o fato constitutivo do direito alegado, demonstrando concretamente a má administração dos valores depositados em sua conta PASEP, mediante planilha de cálculos e elementos probatórios idôneos." V. CITAÇÕES Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 109, I; CPC, arts. 85, § 11, 98, § 3º, 99, § 3º, e 373, I e II; CC, art. 205; LC nº 8/1970, art. 5º; LC nº 26/1975; Decreto nº 4.751/2003; Decreto nº 9.978/2019. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.895.936/TO, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, j. 09.03.2022; STJ, Súmula nº 42; TJ-BA, Apelação nº 80005726720208050173, Rel. Des. José Jorge Lopes Barreto da Silva, Segunda Câmara Cível, publ. 21.02.2024; TJ-BA, Apelação nº 80027045120218050080, Rel. Des. Licia Pinto Fragoso Modesto, Terceira Câmara Cível, publ. 25.09.2024; TJ-BA, Apelação nº 8000587-36.2020.8.05.0173, Rel. Des. Emílio Salomão Pinto Reseda, publ. 20.08.2024; TJDFT, Agr. Inst. nº 0707761-74.2020.8.07.0000, Rel. Des. Hector Valverde, Quinta Turma Cível, j. 01.07.2020; STF, ADPF 130, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, j. 30.04.2009; TJ-GO 5469336-79 .2020.8.09.0044, Relator.: IARA MÁRCIA FRANZONI DE LIMA COSTA - (DESEMBARGADOR), 10ª Câmara Cível, Data de Publicação: 15/05/2024; TJ-AC - Apelação Cível: 00012693320248010001 Rio Branco, Relator.: Des. Laudivon Nogueira, Data de Julgamento: 01/08/2024, Primeira Câmara Cível, Data de Publicação: 16/08/2024. Vistos, relatados e discutidos estes autos de n. 8020053-13.2021.8.05.0001, em que figuram como apelante SAULO MIRANDA FEITOZA e como apelada BANCO DO BRASIL S/A. Salvador, data registrada no sistema Presidente Des. Renato Ribeiro Marques da Costa Relator Procurador(a)
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8020053-13.2021.8.05.0001
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
APELANTE: SAULO MIRANDA FEITOZA
Advogado(s): VICTOR CORTES MACEDO, MARIO ANTONIO DE ALMEIDA BRITO
APELADO: BANCO DO BRASIL S/A
Advogado(s):ENY ANGÉ SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAÚJO
ACORDÃO
ACORDAM os magistrados integrantes da Quinta Câmara Cível do Estado da Bahia, por unanimidade, em CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator.
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
QUINTA CÂMARA CÍVEL
| DECISÃO PROCLAMADA |
Conhecido e não provido Por Unanimidade
Salvador, 9 de Dezembro de 2025.
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Quinta Câmara Cível Trata-se de recurso de Apelação Cível interposto por SAULO MIRANDA FEITOZA contra sentença (ID. 91609774) proferida pelo Juízo da 9ª Vara cível e Comercial de Salvador, que, nos autos da ação indenizatória movida em face do BANCO DO BRASIL S/A , julgou improcedentes os pedidos autorais. O Juízo condenou o autor ao pagamento de custas e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da causa , o qual foi corrigido de ofício para R$ 10.000,00. Na origem, o autor, servidor público aposentado, alegou ser titular de conta PASEP desde antes da CF/88 e ter sido lesado pela má gestão do banco réu. Aduziu que, ao se aposentar em 2016 , verificou que o saldo para saque era "ínfimo" , correspondendo a cerca de um ano de trabalho, e não aos 32 anos contribuídos. A sentença, embora tenha afastado a prescrição com base no Tema 1150 do STJ (prazo decenal com termo inicial na ciência do dano), julgou o mérito improcedente. O Juízo fundamentou que o autor "limitou-se a fazer considerações acerca da suposta diferença" , apresentando "alegações genéricas" "sem, contudo, indicar concretamente qual seria o ato ilícito praticado" ou trazer "planilha de débitos". Concluiu, assim, que o autor não cumpriu seu ônus probatório (art. 373, I, CPC) , enquanto o réu "demonstrou a legislação aplicável e justificou o saldo existente de forma verossímil". Em suas razões recursais (ID. 91609775) , o apelante esclarece que a demanda não versa sobre expurgos inflacionários, mas sobre "atos ilícitos perpetrados" pelo banco na gestão da conta. Reitera os fatos narrados na inicial, salientando que, ao se aposentar em 29/12/2016 , deparou-se com "quantia abaixo, em muito, do valor esperado" , o que demonstraria que o banco "não preservou os valores recebidos antes da Constituição Federal de 1988" , configurando enriquecimento ilícito. Como fundamento de seu direito, argumenta que uma auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) "apontou diversas irregularidades" , como a manutenção de recursos do PASEP e de capital de giro "na mesma conta" , permitindo ao banco utilizar os valores dos servidores para empréstimos "sem repassar os frutos e rendimentos". Defende a aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor (Súmula 297/STJ) e a consequente inversão do ônus da prova , dada sua hipossuficiência técnica e informacional. Sustenta que o banco não se desincumbiu de provar a regularidade dos lançamentos (art. 373, II, CPC) e que o montante devido pode ser apurado em liquidação de sentença. Invoca a violação aos artigos 186 , 927 e 884 do Código Civil. Por fim, reitera o pedido de danos morais , pela frustração da expectativa acumulada por 30 anos , o que lhe causou "profunda tristeza, impotência, decepção e revolta". Pede o provimento do recurso "para condenar o Banco do Brasil, ao pagamento da importância a título de danos materiais, a ser apurada em fase de liquidação de sentença" e "no pagamento de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a título de danos morais". Em contrarrazões (ID. 91609780) , o banco apelado suscita preliminares de: (i) impugnação à gratuidade de justiça, por ausência de comprovação da hipossuficiência; (ii) ilegitimidade passiva, ao argumento de que é mero "administrador" das contas (art. 5º, LC 8/1970) , cabendo a "gestão" do Fundo ao Conselho Diretor, vinculado à União; e (iii) incompetência absoluta da Justiça Estadual, requerendo a remessa dos autos à Justiça Federal, dado o interesse da União. Como prejudicial de mérito, argui a prescrição, sustentando que, apesar do Tema 1150 do STJ, o autor tinha ciência de sua situação, pois "poderia ter requisitado os extratos da conta, em qualquer momento", ou, subsidiariamente, que deve ser reconhecida a prescrição das parcelas anteriores aos 10 anos do ajuizamento da ação. No mérito, pugna pela manutenção da sentença. Afirma que, após a CF/88, cessaram os depósitos de cotas, e que os rendimentos anuais (Juros + RLA) foram recebidos pelo autor "via FOPAG (folha de pagamento) ou saque em caixa" , razão pela qual "não acresceram, ao longo dos anos, ao saldo principal". Aduz que os juros são de 3% ao ano e que o saldo médio das contas (R$ 1.352,50, segundo relatório de gestão) é compatível com o do autor. Rejeita a aplicação do CDC e nega a ocorrência de ato ilícito ou danos materiais e morais. Intimado a se manifestar sobre as preliminares (ID. 93739572) , o apelante alega que a gratuidade de justiça, a ilegitimidade passiva e a incompetência são matérias preclusas, pois a decisão saneadora (ID. 465480631) que as afastou não foi objeto de recurso. Reforça a legitimidade do banco e a competência estadual com base no Tema 1150 do STJ , que, segundo afirma, trata da responsabilidade do banco por má gestão (o caso dos autos). Reitera a aplicação do prazo prescricional decenal com termo inicial na data da ciência do desfalque. Os autos foram encaminhados a esta Instância Superior e distribuídos para a Quinta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, cabendo-me, por sorteio, a relatoria do feito. É O RELATÓRIO, com o qual restituo os autos à Secretaria, solicitando a sua inclusão em pauta para julgamento (CPC, art. 931), destacando, outrossim, a possibilidade de sustentação oral na espécie, conforme arts. 937 do CPC e 187, I, do RITJBA. Salvador/BA, data registrada no sistema Des. Renato Ribeiro Marques da Costa Relator RM03
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8020053-13.2021.8.05.0001
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
APELANTE: SAULO MIRANDA FEITOZA
Advogado(s): VICTOR CORTES MACEDO, MARIO ANTONIO DE ALMEIDA BRITO
APELADO: BANCO DO BRASIL S/A
Advogado(s): ENY ANGÉ SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAÚJO
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Quinta Câmara Cível Trata-se de apelação cível (ID. 91609775) interposta por SAULO MIRANDA FEITOZA em face de sentença (ID. 91609774) proferida pelo Juízo da 9ª V CÍVEL E COMERCIAL DE SALVADOR que, nos autos da ação indenizatória movida em face do BANCO DO BRASIL S/A , julgou improcedentes os pedidos formulados na petição inicial, os quais visavam à condenação do réu ao pagamento de diferenças decorrentes de suposta má administração da conta vinculada ao PASEP, na monta de mais de R$ 411.000,00 (quatrocentos e onze mil reais), bem como à reparação por danos morais no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Nesse contexto, as questões centrais a serem dirimidas consistem em saber: (i) se merece acolhimento a impugnação à gratuidade de justiça deferida ao apelante; (ii) se há fundamento para suspensão do feito por força do Tema Repetitivo nº 1.300 do STJ; (iii) se o Banco do Brasil detém legitimidade passiva para responder pela presente demanda; (iv) se a Justiça Estadual é competente para processar e julgar a causa ; e (v) se restou demonstrada a prática de ato ilícito pelo apelado na administração da conta vinculada ao PASEP do apelante, apto a ensejar o dever de indenizar . Passemos à análise das questões suscitadas. De início, registro que a impugnação à gratuidade de justiça apresentada pelo apelado revela-se excessivamente genérica, desacompanhada de elementos probatórios novos ou de circunstâncias supervenientes que infirmem a presunção estabelecida no §3º do art. 99 do Código de Processo Civil. Inexistindo demonstração objetiva de que o beneficiário possui condições de arcar com as custas processuais, deve prevalecer a presunção relativa de veracidade da declaração de hipossuficiência. Rejeito, portanto, a impugnação. Quanto à suspensão do feito em razão do Tema Repetitivo nº 1.300 do STJ, verifico que tal providência não se justifica. A controvérsia dos presentes autos não se circunscreve às teses afetadas naquele precedente qualificado, mas versa especificamente sobre a ocorrência ou não de prescrição no caso concreto e sobre eventual irregularidade na atualização dos valores da conta individual do PASEP. Rejeito, igualmente, tal preliminar. Em que pese a alegação do apelante (ID. 93739572) de que as preliminares de ilegitimidade e incompetência estariam preclusas por força da decisão saneadora (ID. 465480631), passa-se à análise das matérias, reiteradas em contrarrazões, por se tratar de questões de ordem pública. O apelado, em suas contrarrazões, reiterou a preliminar de ilegitimidade passiva, argumentando ser mero agente administrador e operador do PASEP , cabendo à União, por meio do Conselho Diretor, a gestão do fundo e a definição dos critérios de atualização monetária. A tese não prospera. A causa de pedir deduzida na petição inicial não impugna os critérios de correção e juros estabelecidos pelo Conselho Diretor do Fundo PIS-PASEP, mas sim a suposta falha na prestação do serviço pelo Banco do Brasil, enquanto administrador das contas individuais. A alegação é de má gestão operacional, saques indevidos e ausência de aplicação da devida remuneração sobre o saldo existente, o que caracteriza pretensão fundada em relação obrigacional entre o titular da conta e a instituição financeira administradora. A matéria encontra-se pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial repetitivo (Tema nº 1.150), que fixou a seguinte tese: "O Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto a conta vinculada ao PASEP, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa." (STJ, REsp 1.895.936/TO, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 09/03/2022, DJe 17/05/2022) Tratando-se de precedente vinculante, nos termos do art. 927, III, do CPC, e estando a pretensão autoral fundada em suposta falha na prestação do serviço bancário, a legitimidade passiva do Banco do Brasil é inquestionável. Rejeito, pois, a preliminar de ilegitimidade passiva. O apelado sustenta, ainda, a incompetência da Justiça Estadual, requerendo a remessa dos autos à Justiça Federal, dado o suposto interesse da União na lide . A definição da competência jurisdicional, no caso vertente, reclama análise da natureza jurídica da pretensão deduzida. Se a demanda impugnasse os critérios de cálculo, os índices de correção monetária ou os juros remuneratórios fixados pelo Conselho Diretor do Fundo, a União Federal ostentaria interesse jurídico na lide, atraindo a competência da Justiça Federal, por força do art. 109, I, da Constituição Federal. Todavia, não é essa a hipótese dos autos. A causa de pedir delineada na exordial não se volta contra as normas de gestão do PASEP, mas contra suposta falha do Banco do Brasil na administração operacional da conta individual do autor. A insurgência diz respeito a alegados desfalques e omissão na aplicação da remuneração devida, configurando falha na prestação do serviço bancário. Nesse cenário, a relação jurídica é de natureza privada, estabelecida entre o correntista e a instituição financeira depositária (sociedade de economia mista), sem que haja interesse direto da União a justificar o deslocamento da competência. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou este entendimento, sendo aplicável, por analogia, o disposto na Súmula nº 42: "Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento." A própria fixação da legitimidade passiva do Banco do Brasil no Tema Repetitivo nº 1.150 do STJ reforça a competência da Justiça Estadual, pois parte da premissa de que a lide versa sobre responsabilidade da instituição financeira, e não sobre atos de gestão do fundo atribuíveis à União. Rejeito, portanto, a preliminar de incompetência da Justiça Estadual. A controvérsia recursal cinge-se a definir se o apelante faz jus ao recebimento de diferenças decorrentes de suposta defasagem nos valores creditados em sua conta PASEP, bem como à compensação por danos morais. O Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) foi instituído pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970 , delegando ao Banco do Brasil a função de administrar as contas individuais dos participantes, recebendo contribuições dos entes federativos e realizando, anualmente, os créditos de atualização monetária, juros e resultados financeiros, nos termos do art. 5º da referida norma. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, os depósitos nas contas individuais cessaram, e a destinação dos recursos foi alterada (art. 239, CF) . Contudo, os patrimônios acumulados foram preservados. O Decreto nº 4.751/2003 e, posteriormente, o Decreto nº 9.978/2019 , mantiveram o Conselho Diretor como responsável pelo cálculo da atualização monetária das cotas individuais e o Banco do Brasil como incumbido da operação financeira de efetivo crédito dos valores devidos . O apelante postula a aplicação do CDC e a inversão do ônus da prova . A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.895.936/TO, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 1.150), assentou, de forma vinculante, as seguintes teses jurídicas: "i) O Banco do Brasil tem legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto a conta vinculada ao PASEP [...]; ii) A pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao PASEP se submete ao prazo prescriccional decenal previsto pelo artigo 205 do Código Civil; iii) O termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular, comprovadamente, toma ciência dos desfalques realizados na conta individual vinculada ao PASEP". Não obstante o reconhecimento da legitimidade passiva da instituição financeira e da natureza obrigacional da relação, é imperioso consignar que o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público não se enquadra como relação de consumo, tratando-se de benefício social concedido aos servidores públicos, submetido a regramento legal específico. Nesse sentido, colhe-se da jurisprudência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios: "3. O Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público ( PASEP) não se enquadra como relação de consumo . É um benefício social concedido aos servidores públicos, equivalente ao Programa de Integração Social ( PIS). Verificada a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor ao caso, não se mostra possível a inversão do ônus da prova com amparo tão-somente no código consumerista." (Agr. Inst. nº 0707761-74.2020.8.07.0000, Rel. Des. Hector Valverde, Quinta Turma Cível do TJDFT, Jul. 01/07/2020, DJE. 10/07/2020) Assim, uma vez que não se cogita da aplicação do Código de Defesa do Consumidor às relações envolvendo PIS-PASEP, por estarem submetidas a regramento legal específico, cabia ao apelante comprovar o fato constitutivo do direito que entende possuir, ou seja, a má administração pelo Banco do Brasil dos valores depositados em sua conta PASEP, nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil . Analisando detidamente os elementos probatórios carreados aos autos, constato que o apelante não se desincumbiu do ônus de demonstrar a efetiva omissão da instituição financeira quanto à atualização devida da conta vinculada ao PASEP, ou a ocorrência de saques indevidos e desfalques. Conforme bem delineado na sentença recorrida, o autor "limitou-se a fazer considerações acerca da suposta diferença entre o que deveria ter recebido e o que de fato recebeu" , formulando "alegações genéricas" e não indicando "concretamente qual seria o ato ilícito praticado". Crucialmente, "a parte autora sequer trouxe planilha de débitos demonstrando a diferença a ser paga". Os cálculos mencionados na apelação foram produzidos unilateralmente, sem observância dos parâmetros oficiais estabelecidos pelo Conselho Diretor do Fundo. Em contrapartida, o apelado, conforme consignado na sentença, "demonstrou a legislação aplicável e justificou o saldo existente de forma verossímil, de modo a afastar as alegações autorais", cumprindo o disposto no art. 373, II, do CPC. O banco esclareceu que os valores são atualizados conforme os parâmetros legais (LC 26/1975, etc.) e que os rendimentos anuais, muitas vezes, são sacados ou pagos diretamente em folha, não se acumulando ao principal . Cumpre registrar que a atualização monetária das contas PASEP obedece a regime jurídico próprio, sendo os índices aplicáveis definidos pelo Conselho Diretor do Fundo PIS-PASEP, órgão gestor vinculado à Secretaria do Tesouro Nacional , cabendo ao Banco do Brasil função meramente executória das diretrizes estabelecidas. Este entendimento foi deveras reforçado pelo Superior Tribunal de Justiça quando, por meio da tese fixada no Tema Repetitivo nº 1.150, reconheceu a legitimidade passiva do Banco do Brasil para figurar em demandas que questionem a "ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa". Ocorre que o apelante não demonstrou que os rendimentos estabelecidos não foram aplicados. Quanto ao exposto, temos as jurisprudências nacionais citadas na ilustre sentença do Magistrado de 1º Grau: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. CONTA-CORRENTE INDIVIDUAL PASEP. CORRETA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA . MÁ GESTÃO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ATO ILÍCITO NÃO COMPROVADO. 1. O autor deixa de comprovar nos autos a má gestão da conta individual do PASEP por parte do Banco Brasil, restringindo-se a tecer considerações a respeito do suposto descompasso entre o valor percebido e a expectativa criada em razão da atualização do saldo existente em sua conta, após o transcurso de décadas, tomando como lastro a planilha por ele anexada . 2. Diante da ausência de prova de fato constitutivo do direito do autor, a medida impositiva é de manutenção da sentença que julgou improcedentes os pedidos iniciais, vez que não demonstrado o ato ilícito passível de indenização. APELAÇÃO CÍVEL E DESPROVIDA. (TJ-GO 5469336-79 .2020.8.09.0044, Relator.: IARA MÁRCIA FRANZONI DE LIMA COSTA - (DESEMBARGADOR), 10ª Câmara Cível, Data de Publicação: 15/05/2024) APELAÇÃO CÍVEL – DIREITO CIVIL – BANCO DO BRASIL – PASEP – AÇÃO INDENIZATÓRIA – DANO MATERIAL – ALEGAÇÃO DE MÁ GESTÃO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ATO ILÍCITO. 1. Caso dos autos: Apelação Cível interposta contra sentença da 1ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, que julgou improcedentes seus pedidos em ação contra o Banco do Brasil, referente à correção de valores do PASEP. 2 . Questão em discussão: Pedido de indenização por dano material diante da conduta ilícita do Banco quanto à remuneração dos valores da conta PASEP. 3. Razões de Decidir: Dever do autor de comprovar minimamente os fatos constitutivos de seu direito (art. 373, I, CPC) . Os cálculos apresentados pela apelante utilizavam índices inadequados e diferentes dos legalmente estabelecidos para o PASEP. Os índices de atualização do saldo das contas individuais do PASEP são determinados pelo Conselho Diretor do Fundo PIS /PASEP e estão publicamente disponíveis, dispensando a necessidade de perícia contábil. Jurisprudência consolidada que reforça a necessidade de utilização dos parâmetros de atualização legalmente estabelecidos. 4 . Negado provimento ao apelo, mantendo-se a sentença de improcedência dos pedidos iniciais. Condenada a apelante ao pagamento de custas e honorários advocatícios, majorados para 12% sobre o valor atualizado da causa, com cobrança suspensa devido à assistência judiciária gratuita concedida. (TJ-AC - Apelação Cível: 00012693320248010001 Rio Branco, Relator.: Des. Laudivon Nogueira, Data de Julgamento: 01/08/2024, Primeira Câmara Cível, Data de Publicação: 16/08/2024) Sobre o tema, é pertinente a jurisprudência deste Egrégio Tribunal de Justiça da Bahia: "APELAÇÃO. AÇÃO ORDINÁRIA. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL . INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E MORAL. INCONSISTÊNCIA NO SALDO DA CONTA DO PASEP. VALORES A MENOR. ATO ILÍCITO NÃO CONFIGURADO . PARTE AUTORA QUE NÃO COMPROVOU CABALMENTE FATO CONSTITUTIVO DO SEU DIREITO. PARTE RÉ QUE SE DESINCUMBIU DE SEU ÔNUS PROBATÓRIO. SENTENÇA MANTIDA. APELAÇÃO CONHECIDA E NÃO PROVIDA . 1.No caso em exame, requereu o autor a condenação em danos morais e materiais , alegando que sofreu prejuízos em razão da saques indevidos/correção irregular na conta PASEP. 2.O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (art . 373,I, do CPC) e, no caso em exame, a parte autora não comprovou os fatos alegados ou colacionou planilha de cálculos com índices adequados a demonstrar a alegada divergência de valores. 3. Falece a pretensão de condenação por danos morais, porque é preciso que a pessoa seja atingida em sua honra, reputação, personalidade, sentimento de dignidade, se sujeitando a dor, humilhação, constrangimentos, isto é, tenha os seus sentimentos violados, o que não ocorreu no caso em espeque. 4 . Danos materiais não se presumem. Ausência de comprovação do efetivo prejuízo. Manutenção da sentença que se impõe. APELAÇÃO CONHECIDA E NÃO PROVIDA ." (TJ-BA - Apelação: 80005726720208050173, Relator: José Jorge Lopes Barreto da Silva, Segunda Câmara Cível, Data de Publicação: 21/02/2024) "APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. PASEP. [...] MÁ GESTÃO VALORES A MENOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. [...] 2. Incabível a pretensão da autora de ser indenizada de acordo com os cálculos apresentados com a petição inicial, por terem sido elaborados com aplicação de correção monetária e juros em desacordo com aqueles estabelecidos legalmente para a remuneração dos valores da conta PASEP. [...] 6. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA." (TJ-BA - Apelação: 80027045120218050080, Relator.: LICIA PINTO FRAGOSO MODESTO, TERCEIRA CAMARA CÍVEL, Data de Publicação: 25/09/2024) "APELAÇÃO. AÇÃO REPARATÓRIA DE DANOS MORAIS E MATERIAIS. DEPÓSITOS DO PROGRAMA PIS/PASEP. DEMANDA AFORADA CONTRA O BANCO DO BRASIL S/A. PREAMBULAR DE AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. APELO. EXPOSIÇÃO DOS MOTIVOS PARA REFORMA DO JULGADO. PREFACIAL. AFASTAMENTO. IMPUGNAÇÃO À GRATUIDADE. FALTA DE DOCUMENTOS IDENTIFICANDO QUE A APELANTE DETÉM CONDIÇÃO FINANCEIRA PARA ARCAR COM AS CUSTAS PROCESSUAIS. ALEGAÇÃO. DESCABIMENTO. PREFACIAL DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL S/A. PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE FIGURAR NO POLO PASSIVO. PRELIMINAR. REJEIÇÃO. PREJUDICIAL DE PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL CONTADO A PARTIR DA CIÊNCIA DO TITULAR DO FATO DA CONTROVÉRSIA. DATA DO SAQUE. PRAZO NÃO CONSUMADO. TEMA 1.150, DO STJ. MÉRITO. ALEGADO DESFALQUE DA INSTITUIÇÃO BANCÁRIA RECORRIDA NAS CONTAS DO PROGRAMA PIS/PASEP. VALOR SACADO INFERIOR AO QUE A APELANTE ENTENDE DEVIDO. ALEGAÇÃO DE MÁ GESTÃO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE PROVA. PLANILHA DE CÁLCULO APRESENTADA PELA RECORRENTE EM DESCONFORMIDADE COM OS PARÂMETROS LEGAIS. ÔNUS QUE COMPETIA À PARTE AUTORA/RECORRENTE. ENCARGO. SATISFAÇÃO. INOCORRÊNCIA. SENTENÇA. MANUTENÇÃO. APELO. DESPROVIMENTO." (Classe: Apelação, Número do Processo: 8000587-36.2020.8.05.0173, Relator: Emílio Salomão Pinto Reseda, Publicado em: 20/08/2024) Quanto ao pleito de compensação por danos morais, não se divisam nos autos elementos capazes de demonstrar lesão à esfera extrapatrimonial do recorrente. A jurisprudência pacífica dos tribunais superiores é firme no sentido de que meras divergências sobre saldos e frustrações de expectativas financeiras não ensejam, por si só, reparação moral , sendo necessária a demonstração de sofrimento exacerbado ou violação da dignidade da pessoa. Ausente a prova do ato ilícito e, consequentemente, de abalo psíquico ou de constrangimento anormal, não há que se falar em configuração de dano moral indenizável. Pelo exposto, ausente a comprovação do vício na prestação do serviço bancário e inexistindo demonstração de irregularidade na aplicação dos índices legais de atualização dos valores da conta vinculada ao PASEP, deve prevalecer a sentença de primeiro grau, que julgou improcedente a demanda . Isso posto, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo-se integralmente a sentença recorrida. Majoro os honorários advocatícios sucumbenciais para 11% (onze por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil, observada a suspensão da exigibilidade em razão de o apelante litigar sob o pálio da gratuidade judiciária (concedida na origem), nos termos do art. 98, §3º, do mesmo diploma legal. Salvador, data registrada no sistema Des. Renato Ribeiro Marques da Costa Relator
Processo: APELAÇÃO CÍVEL n. 8020053-13.2021.8.05.0001
Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
APELANTE: SAULO MIRANDA FEITOZA
Advogado(s): VICTOR CORTES MACEDO, MARIO ANTONIO DE ALMEIDA BRITO
APELADO: BANCO DO BRASIL S/A
Advogado(s): ENY ANGÉ SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAÚJO
VOTO
1. DA IMPUGNAÇÃO À GRATUIDADE DE JUSTIÇA E DA SUSPENSÃO PELO TEMA REPETITIVO Nº 1.300
2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES
2.1. Da Ilegitimidade Passiva Ad Causam
2.2. Da Incompetência da Justiça Estadual
O presente recurso preenche os requisitos extrínsecos e intrínsecos de admissibilidade, notadamente o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Em assim sendo, passo a análise do mérito trazido à este Tribunal.